Mesmo diante do avanço das plataformas digitais, redes sociais e serviços de streaming, o rádio segue como um dos meios de comunicação mais relevantes do Brasil. Dados da 48ª edição do estudo Data Stories – Inside Audio 2025, da Kantar IBOPE Media, revelam que 79% da população das principais regiões metropolitanas do país ouve rádio regularmente. O levantamento reforça a capacidade de adaptação do rádio em um cenário marcado pelo consumo acelerado de informações e pela multiplicidade de canais de comunicação. Além de permanecer presente no cotidiano dos brasileiros, o meio amplia sua atuação por meio de aplicativos, plataformas de streaming, podcasts e redes sociais.
Para a jornalista e professora de Radiojornalismo da Universidade de Fortaleza (Unifor), Kátia Patrocínio, a principal característica que mantém o rádio competitivo é a rapidez na transmissão das notícias. Segundo ela, a simplicidade da linguagem e a agilidade da comunicação tornam o meio um dos mais eficientes para levar informações ao público em tempo real. A especialista destaca ainda a relação única construída entre locutor e ouvinte. Diferentemente de outras mídias, o rádio estimula a imaginação, permitindo que cada pessoa crie mentalmente as imagens a partir das narrativas e da voz dos comunicadores. Essa característica fortalece o sentimento de proximidade e identificação entre a audiência e os profissionais do meio.
A conexão emocional também é apontada como um dos pilares da longevidade do rádio. Para a presidente da Associação Cearense de Emissoras de Rádio e Televisão (Acert), Carmen Lúcia Dummar, a credibilidade conquistada ao longo das décadas, aliada à prestação de serviço e à proximidade com as comunidades, explica a permanência do veículo entre os mais consumidos do país. Os dados da Kantar IBOPE Media mostram ainda que o rádio continua alcançando diferentes faixas etárias, classes sociais e regiões brasileiras. O estudo aponta que o tempo médio diário de consumo do meio permanece elevado, especialmente durante deslocamentos para o trabalho e atividades domésticas, momentos em que a praticidade do áudio se destaca.
Outro fator relevante é a transformação tecnológica do setor. Atualmente, o rádio deixou de estar restrito às frequências AM e FM e passou a integrar um ecossistema multiplataforma. As emissoras estão presentes em aplicativos próprios, sites, serviços de streaming, podcasts, carros conectados e assistentes virtuais, ampliando o alcance e a interação com o público.
Ao combinar tradição, credibilidade e inovação, o rádio demonstra capacidade de se reinventar e manter sua relevância em meio às constantes mudanças no mercado da comunicação, consolidando-se como uma das mídias de maior alcance e confiança entre os brasileiros.
Fonte: Diário do Nordeste
