Cinco dias. Cinco dias amarrada, amordaçada, sedada e mantida em cativeiro. Segundo os relatos, Emiliane já havia procurado ajuda diversas vezes antes de tudo acontecer. Ela avisou, pediu socorro e demonstrou que estava em perigo. Ainda assim, quem quase teve a vida destruída foi ela.
E então chega a audiência de custódia, e a preocupação do momento seria uma suposta “pressão psicológica” sofrida pelo acusado durante a abordagem policial.
Sim, preso tem direitos. Polícia não pode torturar, humilhar ou cometer abusos. Isso é obrigação de um Estado de Direito.
Mas fica a pergunta: onde estava toda essa preocupação quando uma mulher dizia que estava em perigo? Onde estava a mesma urgência quando vieram as ameaças e os pedidos de ajuda?
Direitos humanos precisam valer para todos, mas a proteção à vítima também precisa ser prioridade.
Relacionamento terminado não dá a ninguém o direito de controlar, perseguir, ameaçar ou aprisionar. Amor não é posse. Ciúme não é justificativa. E ameaça não é declaração de amor.
Depois da tragédia, a sociedade pergunta: “Como ninguém percebeu?”. Muitas vezes, perceberam. A vítima falou. Pediu ajuda. O problema é que, muitas vezes, o alerta só ganha importância depois que vira manchete.
Não se trata de retirar direitos do acusado. Trata-se de exigir que a vítima também seja ouvida e protegida antes que seja tarde demais.
Porque, no Brasil, às vezes parece que a vítima precisa sobreviver primeiro para depois provar que realmente estava em perigo.
O acusado tem direitos. Mas a vítima também tinha. E esses direitos deveriam ter sido protegidos antes de tudo acontecer.
