Quase dez meses após a CBF depositar R$ 80,9 milhões em uma conta judicial como indenização ao Icasa, o clube caririense ainda não conseguiu ter acesso ao dinheiro. A informação foi confirmada pelo presidente do Verdão, Celso Ponte, em entrevista ao programa Jogada 3º Tempo, da Verdinha FM 92.5, na noite desta segunda-feira (24).
O valor permanece bloqueado para o pagamento de dívidas trabalhistas, cíveis e outros processos perdidos pelo clube. Após a quitação das pendências, o Icasa ainda terá que repassar 30% do montante aos advogados responsáveis pela vitória judicial, referentes aos honorários.
Segundo Celso Ponte, o clube já tem um projeto definido para utilizar a quantia que restar. A intenção é investir na reestruturação do Centro de Treinamento (CT) e fortalecer o futebol do Icasa. O dirigente, porém, não revelou quanto o clube espera receber, já que os valores das dívidas continuam sendo atualizados.
O presidente também afirmou que o dinheiro depositado em juízo não está rendendo juros, enquanto as dívidas do clube continuam sendo corrigidas. Por isso, a demora da Justiça preocupa a diretoria.
Eleito neste mês para mais quatro anos à frente do Icasa, Celso Ponte afirmou que pretende aplicar os recursos de forma planejada quando o clube finalmente tiver acesso à indenização.
Enquanto isso, o Icasa se prepara para disputar a Taça Fares Lopes, em novembro. O campeão garante vaga na Copa do Brasil do ano seguinte. Para a competição, a diretoria prevê investir cerca de R$ 500 mil, valor que deverá ser obtido por meio de patrocinadores e da arrecadação com os torcedores.
Entenda o caso
A indenização é resultado de uma disputa iniciada após a Série B de 2013. O Icasa alegou ter sido prejudicado pela escalação irregular do jogador Luan Niezdzielski, do Figueirense, em uma partida contra o América-MG.
O atleta estava suspenso, mas entrou em campo. Na época, o Icasa terminou a competição apenas um ponto atrás do Figueirense, que ficou em quarto lugar e conquistou o acesso à Série A de 2014.
Após o caso prescrever na Justiça Desportiva, o Icasa levou a disputa à Justiça comum. O processo contra a CBF tramitava desde 2018 e chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em 2025, o clube obteve decisão favorável, e a CBF não apresentou novo recurso. Com o encerramento definitivo do processo, a confederação foi obrigada a pagar a indenização de R$ 80,9 milhões.
Fonte: Diário do Nordeste
