O mercado dos medicamentos agonistas de GLP-1, popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”, segue em forte expansão no Ceará. Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apontam que a venda desses medicamentos aumentou cerca de 41% entre janeiro e agosto de 2026 no Estado.
No início do ano, foram comercializadas aproximadamente 17 mil unidades de produtos como Mounjaro, Ozempic, Wegovy, Olire, Saxenda e Trulicity. Em agosto, esse número chegou a quase 24 mil unidades, representando um crescimento de 40,76% no período. Entre janeiro e agosto deste ano, o Ceará registrou a venda de 160.409 unidades desses medicamentos injetáveis, volume equivalente a 2,6% das mais de 6,18 milhões de unidades comercializadas em todo o Brasil. Os dados fazem parte do Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC), da Anvisa.
O avanço do segmento ocorre em meio ao aumento da concorrência e à redução dos preços de alguns medicamentos, especialmente os que utilizam semaglutida, cuja patente expirou no Brasil em março deste ano. Além de ampliar as vendas, a categoria vem ganhando relevância no faturamento das redes farmacêuticas. Na operação consolidada da Pague Menos e Extrafarma, os agonistas de GLP-1 já representam 8,6% do faturamento no primeiro semestre de 2026.
Segundo o vice-presidente Comercial da Pague Menos, Walace Siffert, esses medicamentos responderam por cerca de um terço do crescimento registrado pela companhia no segundo trimestre deste ano. Entre os produtos comercializados, o Mounjaro, à base de tirzepatida, lidera as vendas no Ceará, com participação de 55,2% do mercado. Já Ozempic e Wegovy, ambos à base de semaglutida, respondem por 42% das unidades vendidas.
Apesar da liderança da tirzepatida, a semaglutida vem ganhando espaço rapidamente. As vendas mensais de Ozempic e Wegovy saltaram de 5.695 unidades em janeiro para 12.704 em agosto, um crescimento de 123,1%. No mesmo período, o Mounjaro apresentou leve retração de 4,1%, passando de 10.941 para 10.490 unidades vendidas. Com isso, sua participação de mercado caiu de 64,4% para 43,8%, enquanto Ozempic e Wegovy avançaram de 33,5% para 53,1% das vendas mensais no Estado.
O cenário confirma a consolidação das chamadas “canetas emagrecedoras” como uma das categorias de maior crescimento no setor farmacêutico brasileiro, impulsionada tanto pela busca por tratamentos para obesidade quanto pelo controle do diabetes tipo 2.
Fonte: Diário do Nordeste
