Imagine realizar atividades do dia a dia, como lavar louça, estender roupas e organizar a casa, e ainda receber por isso. Essa é a proposta de plataformas que remuneram usuários pela gravação de vídeos utilizados no treinamento de robôs humanoides e sistemas de inteligência artificial.
A atividade tem atraído cearenses em busca de renda extra. A Flambra, uma das empresas do setor, afirma possuir mais de 20 mil usuários, sendo pelo menos 3 mil no Ceará. A plataforma promete pagamentos de R$ 25 por gravações aprovadas, além de bônus por indicações, e informa que a renda média chega a R$ 4.500 mensais.
Um dos casos é o da enfermeira Sintia Monteiro, que grava atividades domésticas em seus dias de folga e afirma receber, em média, R$ 1 mil por semana. Ela utiliza duas plataformas e pretende ampliar sua participação para conciliar o trabalho com a vida familiar.
O funcionamento é simples: os usuários se cadastram, recebem orientações sobre as tarefas e gravam vídeos, geralmente com o celular preso a um suporte que registra a atividade em primeira pessoa. Após a aprovação, as imagens são utilizadas na criação de bancos de dados para o desenvolvimento de robôs e ferramentas de IA.
Entre as atividades estão cozinhar, varrer, organizar armários, limpar cômodos, cuidar de animais, regar plantas e realizar tarefas relacionadas a veículos. Algumas plataformas também oferecem pagamentos extras por tarefas específicas e indicações.
Apesar da possibilidade de ganhos, especialistas alertam que a renda não é garantida e pode diminuir com o tempo, à medida que os sistemas acumulam dados suficientes sobre atividades comuns. O economista Pedro Henrique Arruda, do Corecon-CE, recomenda encarar a atividade como uma fonte esporádica de micro-renda, sem depender dela para compor o orçamento.
Outro ponto de atenção é a privacidade. Os vídeos podem revelar detalhes do interior das residências, hábitos familiares, documentos e até informações sobre terceiros. Segundo Luiz Alexandre Reali Costa, gerente do Observatório Brasileiro de Inteligência Artificial (OBIA), é necessário verificar como os dados são armazenados, utilizados e eventualmente enviados para outros países, além de observar as exigências da LGPD.
A oportunidade de receber por tarefas domésticas já realizadas existe, mas exige atenção às regras de pagamento, à segurança dos dados e à instabilidade dos ganhos.
Fonte:Diário do Nordeste
