Um estudo brasileiro publicado na revista científica BMJ Open aponta que pessoas com artrite reumatoide podem continuar enfrentando dores, fadiga e dificuldades na rotina mesmo quando os indicadores clínicos mostram que a doença está sob controle.
A pesquisa analisou 1.079 pacientes acompanhados em 11 centros públicos especializados no Brasil. Os resultados indicaram que a dificuldade para realizar atividades do dia a dia foi o fator mais fortemente associado à pior qualidade de vida, tanto física quanto mental.
As mulheres representaram 89,4% dos participantes e, mesmo após a consideração de outros fatores, permaneceram associadas a resultados piores na dimensão mental da qualidade de vida. No entanto, o estudo não permite afirmar que o sexo seja a causa dessa diferença.
A artrite reumatoide é uma doença autoimune crônica que afeta as articulações, podendo provocar dor, rigidez, inchaço, fadiga e limitações nos movimentos.
Dor e cansaço podem persistir
Mesmo quando conseguem trabalhar, cuidar da casa e cumprir compromissos, muitos pacientes precisam fazer essas atividades com mais esforço e desconforto. Além disso, podem abandonar momentos de lazer e atividades sociais que antes faziam parte da rotina.
A fadiga associada à artrite reumatoide vai além do cansaço comum. Ela pode ser intensa e persistente, comprometendo a concentração, o autocuidado, o trabalho e as relações pessoais.
Outro ponto importante é que dor e fadiga nem sempre acompanham o nível de inflamação. Por isso, esses sintomas precisam ser investigados individualmente, sem presumir que sejam necessariamente sinais de agravamento da doença.
Saúde emocional e sexual também merecem atenção
Pesquisas brasileiras também apontam possíveis impactos da artrite reumatoide na vida sexual. Em um estudo com 54 mulheres com a doença em estágio inicial e que haviam tido atividade sexual nas quatro semanas anteriores, 79,6% apresentaram disfunção sexual segundo um questionário específico.
O resultado não representa todas as mulheres com artrite reumatoide, mas reforça a importância de abordar questões como dor, fadiga, autoestima, ansiedade e intimidade durante o acompanhamento médico.
Tratamento vai além dos exames
Controlar a inflamação continua sendo fundamental para reduzir o risco de danos às articulações e de perda funcional. Entretanto, o tratamento também pode exigir fisioterapia, terapia ocupacional, acompanhamento psicológico, estratégias para controle da dor e atividade física adaptada às condições de cada paciente.
A prática de exercícios, quando realizada de maneira segura e progressiva, integra as recomendações internacionais para o cuidado da doença.
O diagnóstico não significa que as limitações serão permanentes. Estudos de acompanhamento indicam que o tratamento precoce pode melhorar a capacidade funcional e diferentes aspectos da qualidade de vida.
Por isso, além de avaliar os exames e a atividade inflamatória, os profissionais de saúde precisam investigar como a doença afeta o sono, o trabalho, o lazer, as relações pessoais e a autonomia.
A melhora da inflamação é uma conquista, mas recuperar a qualidade de vida também deve ser uma meta do tratamento.
Texto adaptado de artigo assinado pela jornalista Eliane Contreras e pela reumatologista Licia Maria H. Mota, professora da Universidade de Brasília (UnB).
Fonte: G1
