Localizada na região Norte do Ceará, a aproximadamente 300 quilômetros de Fortaleza, Frecheirinha, município com cerca de 20 mil habitantes, conquistou reconhecimento estadual como a “Capital da Lingerie”. A cidade se tornou uma referência nacional na fabricação de calcinhas, cuecas e sutiãs, atividade que movimenta a economia local e gera milhares de empregos para moradores e trabalhadores de municípios vizinhos.
O título foi oficializado em 2025, por meio de uma lei estadual, em reconhecimento à contribuição de Frecheirinha para o desenvolvimento da indústria de moda íntima no Ceará.
Segundo a justificativa do projeto de lei, o segmento gera aproximadamente 4,5 mil empregos diretos e mais de 20 mil indiretos, considerando toda a cadeia produtiva, que envolve fabricação, comercialização, logística, fornecimento de insumos e serviços. A estimativa é de que a folha de pagamento mensal injete cerca de R$ 7,5 milhões na economia do município.
De acordo com levantamento da Secretaria do Desenvolvimento Econômico do Ceará (SDE), com base em informações da Junta Comercial do Estado (Jucec), o Ceará possui 4.882 empreendimentos formalmente registrados no setor de confecção de roupas íntimas. Desse total, 84 estão localizados em Frecheirinha.
CRESCIMENTO DO SETOR
Apesar da dimensão alcançada atualmente, a consolidação da indústria de lingerie no município é relativamente recente. Segundo o presidente da Associação dos Confeccionistas de Frecheirinha (Ascof), Diego Arruda, a atividade começou a ganhar força no início da década de 1990.
Até o final dos anos 1980, a economia local era concentrada principalmente na agropecuária e na produção de cal. A mudança ocorreu quando empresários decidiram investir na fabricação de roupas íntimas, buscando fornecedores de máquinas, tecidos e aviamentos.
O crescimento aconteceu de forma gradual, impulsionado também pelo empreendedorismo de antigos funcionários das primeiras fábricas, que adquiriram experiência e abriram os próprios negócios.
Atualmente, a formação de mão de obra é uma das estratégias para sustentar a expansão. Segundo Arruda, a associação promove turmas de aproximadamente 50 alunos a cada três meses, com profissionais que já concluem a capacitação com oportunidades de emprego nas fábricas.
Outro momento importante ocorreu a partir de 2005, quando empresários passaram a investir também na comercialização direta das peças, abrindo lojas vinculadas às próprias unidades de produção.
Fonte: Diário do Nordeste
