Com a definição do segundo turno das eleições presidenciais, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) iniciam uma nova etapa da campanha com o desafio de ampliar suas bases eleitorais e conquistar o apoio de milhões de brasileiros que não votaram em nenhum dos dois candidatos no primeiro turno.
De acordo com os números consolidados da apuração, Flávio Bolsonaro terminou a primeira etapa da disputa na liderança, com 56.103.526 votos, o equivalente a 47,03% dos votos válidos. Lula apareceu em seguida, com 53.874.247 votos, representando 45,16%. Os candidatos que ficaram fora do segundo turno somaram juntos 9.316.510 votos. Entre eles, Augusto Cury (Avante) recebeu 3.448.565 votos, Renan Santos (Missão) obteve 2.675.883 e Ronaldo Caiado (PSD) conquistou 2.605.142 votos. Romeu Zema (Novo) registrou 326.486 votos, enquanto os demais candidatos somaram cerca de 260 mil votos.
Além desse contingente, as campanhas também voltam suas atenções para os eleitores que não compareceram às urnas ou optaram por não escolher nenhum candidato. As abstenções chegaram a 33.467.247 eleitores. Já os votos brancos totalizaram 2.300.710 e os nulos alcançaram 3.673.899. Somados, os votos dos candidatos derrotados, os brancos, os nulos e as abstenções representam um universo de 48.758.366 eleitores que não deram voto válido a Lula ou Flávio Bolsonaro no primeiro turno.
Especialistas avaliam que a disputa agora exigirá mudanças de estratégia por parte dos dois candidatos. Segundo o cientista político Gabriel Amaral, o desafio será compreender as razões que levaram esses eleitores a escolher outros nomes ou a não votar em nenhum dos concorrentes que avançaram para a etapa decisiva.
Na avaliação dele, Flávio Bolsonaro parte de uma posição favorável para atrair parte do eleitorado de centro-direita e direita, enquanto Lula precisará ampliar seu diálogo com eleitores moderados e insatisfeitos com o atual cenário político. Amaral também destaca que o discurso adotado no primeiro turno pode não ser suficiente para conquistar novos apoios. Para ele, a campanha precisará dialogar com segmentos que não estavam convencidos pelas mensagens apresentadas até agora. O cientista político ressalta ainda que eventuais apoios de candidatos derrotados podem ajudar na construção de alianças e fortalecer estruturas partidárias regionais, mas não garantem a transferência automática de votos.
O doutor em Direito Constitucional Murilo Borsio Bataglia concorda que o segundo turno exigirá uma postura mais ampla dos candidatos. Segundo ele, será necessário buscar convergências com eleitores de diferentes correntes políticas e apresentar propostas capazes de dialogar com a diversidade de pensamentos existente no país.
Entre os temas que devem dominar o debate nas próximas semanas estão economia, geração de empregos, segurança pública, educação, saúde, políticas sociais, inteligência artificial, soberania digital, exploração de recursos naturais e estabilidade institucional. Para os especialistas, a disputa presidencial deverá ser definida pela combinação entre avaliação do cenário econômico, confiança dos eleitores, índices de rejeição e capacidade dos candidatos de apresentar um projeto de país que vá além da polarização política.
Fonte: R7
