Com a intensificação das chuvas em Fortaleza, o Instituto Dr. José Frota (IJF) reforça o alerta para o aumento no risco de acidentes com escorpiões no ambiente urbano.
Nos três primeiros meses de 2026, o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox) do IJF registrou 898 atendimentos por acidentes com escorpiões.
No mesmo período de 2025, foram contabilizados 682 casos, o que representa um aumento de aproximadamente 31%. A maior parte dos casos envolve a espécie Tityus stigmurus, conhecido como escorpião-amarelo-do-nordeste, o mais comum na região.
O animal costuma se abrigar em locais escuros e úmidos, como entulhos, ralos, caixas de esgoto e calçados, o que favorece acidentes dentro das residências, principalmente com o elevado volume de chuvas na capital cearense.
Sintomas
Os acidentes com escorpiões são classificados em leves, moderados e graves. A maioria dos casos é considerada leve, caracterizando-se por dor intensa imediata no local da picada, acompanhada de parestesia (sensação de formigamento) podendo se estender para todo o membro afetado.
Nesses casos, não há indicação para uso de soro antiescorpiônico.
De acordo com a médica infectologista e chefe do Ciatox/IJF, Kelma Maia, crianças menores de 7 anos, idosos e pessoas com comorbidades constituem os grupos mais vulneráveis, com maior risco de evolução para quadros moderados e graves.
De acordo com ela, nesses casos, é preciso atenção imediata, pois pode haver indicação de administração do soro antiescorpiônico, disponível no IJF. Podem surgir sintomas como sudorese, vômitos persistentes, taquicardia, salivação excessiva, insuficiência cardíaca, edema pulmonar e dor abdominal.
“Embora menos frequentes, esses casos exigem intervenção rápida devido ao risco elevado de agravamento”, explica.
O que fazer em caso de picada
Os direcionamentos recomendados são:
Não use pomadas no local, pois são ineficazes e podem dificultar a avaliação médica;
Lave a área com água e sabão, de forma suave;
Não faça torniquetes, incisões ou sucção;
Utilize compressas mornas ou frias para alívio temporário;
Não aplique gelo em contato direto com a pele e procure atendimento médico no serviço de emergência mais próximo.
“É importante desmistificar algumas crenças populares que, em alguns casos, podem até piorar o quadro de saúde do paciente. O ideal é procurar uma unidade de saúde para avaliação clínica e tratamento adequado”, reforça a infectologista.
Prevenção
Para evitar o surgimento de escorpiões no ambiente domiciliar é necessário manter o lixo fechado, evitar o acúmulo de entulhos, folhas e materiais de construção. Além de impedir que plantas encostem em paredes e muros; verificar calçados antes de usá-los e evitar roupas no chão.
Afastar móveis das parede; manter ralos fechados; vedar frestas, buracos e aberturas em paredes e caixas de energia e utilizar luvas, calçados em atividades de risco e controle de baratas na residência, também são indicados.
Fonte- Opinião Ceará
