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CE terá calor acima da média e perda de água nas lavouras até setembro

Com influência do El Niño, temperaturas podem aumentar até 2ºC entre julho e setembro.
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Os produtores rurais e a população do Ceará devem se preparar para um trimestre de temperaturas elevadas e chuvas escassas. A previsão para os meses de julho, agosto e setembro de 2026 aponta para um cenário de calor acima da média histórica e volumes de precipitação predominantemente abaixo do normal em grande parte do estado.

Os dados são do novo Boletim Agroclimático do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), realizado em parceria com a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e o Centro de Previsão de Tempo e Clima do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/INPE).

Em junho, áreas do leste e nordeste do Ceará já registraram máximas médias superiores a 32 °C, e a tendência é que os números elevados se intensifiquem.

Para o próximo trimestre, a previsão indica que as temperaturas em todo o Estado permanecerão acima da média climatológica, com desvios que podem variar entre 0,5 °C e 1,0 °C. Já na região do Sertão de Crateús e proximidades, essa variação será maior: de 1°C a 2°C.

Esse aquecimento é reforçado pela continuidade do El Niño, que apresenta quase 100% de probabilidade de persistência durante o inverno e início da primavera. Ele é responsável por liberar uma grande quantidade de energia no Oceano Pacífico, gerando um aquecimento anormal das águas.

Isso altera a circulação do ar e reduz a formação de nuvens sobre a região, o que costuma favorecer a redução das chuvas e a elevação das temperaturas na região Norte e Nordeste do Brasil.

O último fenômeno considerado forte, ou seja, que teve média de temperaturas acima de 1,5°C, ocorreu em 2015-2016. No Ceará, esses anos registraram uma das secas mais graves da história recente.

Cenário crítico em setembro

De acordo com os mapas de previsão, a perda de água varia entre 10 mm e 100 mm neste mês de julho. As reduções mais significativas se concentram na região Centro-Sul do Ceará, incluindo o Sertão Central e o Vale do Jaguaribe.

A situação tende a se tornar mais crítica à medida que o trimestre avança. O déficit hídrico no Estado, assim como no resto do interior do Nordeste, poderá ultrapassar os 100 mm em setembro. 

No mesmo período, os níveis de armazenamento de água no solo devem cair drasticamente. Os índices neste mês de julho, conforme a previsão, são de 10% a 20% no Centro-Sul e 40% a 60% no Litoral e no Maciço de Baturité. Segundo a projeção, essas taxas podem reduzir para 3% e 20%, respectivamente.

Esse panorama pode limitar o desenvolvimento de qualquer cultura que não conte com sistema de irrigação eficiente. Assim, especialistas recomendam que os produtores deem atenção especial ao planejamento da suplementação alimentar do rebanho e ao manejo das reservas forrageiras para mitigar os efeitos da seca.

Alerta para o setor agrícola
O impacto mais severo deve ser sentido no campo. A combinação entre baixas precipitações, temperaturas elevadas e baixos níveis de armazenamento, o Ceará enfrentará uma intensificação do déficit hídrico, especialmente no interior do estado.

As culturas de sequeiro, como milho e feijão, que dependem exclusivamente das chuvas para o desenvolvimento das plantas, podem sofrer perdas de potencial produtivo. Isso porque o déficit hídrico acontecerá na fase de reprodução ou de enchimento dos grãos, período que requer um aumento da demanda por água.

Dados da Secretaria do Desenvolvimento Econômico do Ceará (Sedet) apontaram, em 2022, que a agricultura de sequeiro domina 95% da área plantada no Estado.
O avanço da estiagem também deve reduzir a produção e a qualidade da forragem no semiárido e nas áreas de sertão, exigindo suplementação alimentar do rebanho. Além da falta de pasto, o gado fica exposto ao estresse térmico durante as horas mais quentes do dia.

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