O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarca em Fortaleza para participar, no fim da tarde desta sexta-feira (31), da convenção que oficializará a candidatura do governador Elmano de Freitas (PT) à reeleição. O evento será realizado no Centro de Eventos do Ceará, mesmo local onde, há quatro anos, os dois petistas deram início a uma campanha que levou Elmano ao Palácio da Abolição.
Contudo, agora eles encaram um cenário político diferente. Em 2022, Elmano foi lançado ao Executivo estadual em meio ao rompimento da aliança de mais de 15 anos com o PDT. À época, Lula disputava a primeira eleição após ter as condenações no âmbito da Lava Jato anuladas e retomar os direitos políticos. Para o pleito deste ano, ambos chegam à convenção carregando o desempenho dos últimos quatro anos de gestão, além de novos aliados e adversários reorganizados.
A passagem por Fortaleza, inclusive, integra o primeiro giro eleitoral de Lula, que visita também a Bahia. Os dois estados são estratégicos para o PT por serem governados por nomes da sigla e terem cumprido papel decisivo na vitória do presidente em 2022. No Ceará, por exemplo, Lula venceu em todos os 184 municípios nos dois turnos da eleição daquele ano.
Convenção marca largada eleitoral
Ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, José Guimarães (PT) classificou a convenção como o ponto de partida das campanhas de Lula e Elmano no Ceará. Segundo ele, a presença do presidente no Estado nesta sexta-feira busca reafirmar a parceria entre o Governo Federal e a administração estadual.
“É o marco da largada rumo à vitória. Nós temos uma grande aliança que envolve muitos partidos do Ceará e temos as melhores condições para ganharmos a eleição no primeiro turno”, afirmou Guimarães em entrevista ao PontoPoder na última quarta-feira (29).
“A presença do presidente Lula na convenção é a demonstração de apreço e de apoio que o presidente tem dado ao Ceará, ao governo liderado pelo governador Elmano de Freitas. Além disso, tem o prestígio dele (Lula), é o principal cabo eleitoral do Ceará”, acrescentou.
A visita de Lula também indica que a estratégia governista deverá vincular as disputas estadual e nacional. Em 2022, a campanha apresentou a eleição de Lula para a Presidência, de Elmano para o Governo e de Camilo Santana (PT) para o Senado como partes de um mesmo projeto político.
“Nós ganharemos a eleição no Ceará por conta de tudo que temos feito pelo Ceará e, sobretudo, pelo apoio que temos claramente do presidente Lula”, declarou.
De aposta eleitoral a candidato à reeleição
Diferentemente de 2022, quando a candidatura de Elmano foi construída a partir de um racha no grupo governista, o petista parte de uma posição distinta em 2026 e deverá usar as ações do próprio mandato e a parceria administrativa com o Governo Federal para sustentar a campanha.
Guimarães adiantou que a campanha deverá destacar obras e investimentos realizados a partir desse alinhamento.
“O Lula tem o maior índice de aceitação da população cearense porque o povo sabe o quanto o Lula fez nos seus governos pelo Estado do Ceará, pelo povo do Ceará. Todas as obras estruturantes do Estado são marcas que ninguém pode esconder dos governos do PT e dos governos que nós lideramos no Ceará”, disse.
Presidente estadual do PT, Antônio Filho, o Conin, também reforçou que esse deve ser um dos eixos da campanha petista no Ceará. Além de Lula e Elmano, o PT governa Fortaleza desde janeiro do ano passado, após a vitória de Evandro Leitão (PT) no segundo turno no pleito de 2024.
“A população entendeu em 2022 e vai entender agora como esse alinhamento do Elmano e do Evandro com o Lula tem trazido benefícios para a população. Temos muito o que mostrar na convenção como resultado dessa aliança”, afirmou.
“O Ceará ganhou muito, e isso que a gente dizia, que o Ceará vai ser ainda mais forte. A população entende isso e vamos continuar apresentando o que isso pode proporcionar ainda com mais quatro anos”, completou.
Segundo Conin, além do impacto na campanha local, a visita também prevê um reforço na campanha à reeleição de Lula.
“É um estado governado pelo PT, é o único em que o PT governa o Estado e a Capital, então o Ceará está sempre entre as prioridades. A nossa tarefa aqui é assegurar uma grande maioria para o presidente Lula, reeleger o Elmano e fazer uma campanha potente para aumentar o desempenho do PT”, disse.
A campanha governista pretende estabelecer uma polarização entre esse grupo e a aliança formada em torno da candidatura oposicionista de Ciro Gomes (PSDB). O ex-ministro conta com o apoio do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro. Guimarães antecipou que o PT pretende explorar essa composição para dividir a disputa entre a aliança liderada por Lula e o grupo de oposição.
“São dois projetos, são dois lados: um liderado pelo presidente Lula e outro liderado pelas forças bolsonaristas no Ceará”, afirmou.
Incertezas na chapa governista
Apesar da confirmação do nome de Elmano, a composição completa da chapa governista ainda é alvo de incertezas. O grupo já confirmou o senador Cid Gomes (PSB) como candidato à reeleição e o deputado federal Júnior Mano (PSB) como primeiro suplente, mas ainda precisa definir quem disputará a segunda vaga destinada ao Ceará no Senado — além dos espaços na suplência — e o posto de candidato a vice-governador.
Um dos pontos de impasse envolve os deputados federais Luizianne Lins (Rede) e Eunício Oliveira (MDB). A parlamentar deixou o PT após 37 anos de filiação em busca de espaço para concorrer ao Senado. Apesar de ter saído dos quadros petistas, ela almeja o apoio de Elmano. Ao mesmo tempo, Eunício busca retornar ao Senado e reivindica o espaço para o MDB.
Essas definições está ainda mais conturbada por conta da disputa interna da Federação União Progressista. Na convenção realizada no último domingo (26), a federação decidiu apoiar a candidatura oposicionista de Ciro Gomes ao Governo, indicar Roberto Cláudio (União) para vice e lançar Capitão Wagner (União) ao Senado.
Contudo, os diretórios estaduais de União Brasil e PP aprovaram individualmente uma aliança com a federação formada por PT, PCdoB e PV. Os dois partidos acionaram a Justiça Eleitoral contra a decisão da Federação. Já a direção da União Progressista contesta o argumento e sustenta que a decisão sobre coligações cabe à federação.
O desfecho da disputa judicial pode interferir diretamente no tamanho da aliança de Elmano e nas negociações pelos postos que ainda estão abertos na chapa governista.
Fonte- Diário do Nordeste
