O futebol é feito de paixão, rivalidade, provocações e emoções. Mas existe uma linha que jamais deveria ser ultrapassada: o respeito. E o episódio ocorrido na saída da Neo Química Arena, após a vitória do Santos sobre o Corinthians neste domingo (30), é um triste exemplo de quando a paixão pelo futebol perde completamente o sentido.
Um garoto corintiano, de apenas oito anos, fã de Neymar, recebeu do jogador uma camisa como presente. O gesto, que poderia ter sido lembrado como um momento bonito entre uma criança e seu ídolo, acabou transformando-se em uma situação de medo e aflição.
Segundo vídeos que circulam nas redes sociais, o menino foi hostilizado por torcedores e precisou ser escoltado por policiais junto com sua família para deixar o estádio. Uma criança que deveria estar vivendo um momento de alegria acabou precisando de proteção diante da intolerância de adultos.
É preciso refletir: que tipo de exemplo estamos dando às nossas crianças?
Torcer pelo Corinthians, pelo Santos, pelo Flamengo ou por qualquer outro clube não dá a ninguém o direito de humilhar, ameaçar ou intimidar uma criança. Rivalidade é parte do futebol. Ódio e agressividade contra um menino de oito anos não são.
Neymar teve uma atitude digna ao cumprir a promessa e presentear o pequeno torcedor, deixando claro que o respeito está acima das cores de uma camisa. O futebol deveria ensinar justamente isso: que podemos admirar um atleta, respeitar o adversário e continuar amando nosso clube.
Que esse episódio sirva de alerta. Precisamos combater a violência nos estádios, mas também a intolerância que começa nas arquibancadas e pode transformar uma simples paixão esportiva em um ambiente de medo.
Criança não é adversária. Criança precisa ser protegida.
Que nunca percamos a capacidade de entender que, antes de corintianos, santistas ou torcedores de qualquer clube, somos seres humanos. E que o futebol só faz sentido quando a paixão vem acompanhada de respeito.
