Baleia que encalhou na Alemanha e foi achada morta na Dinamarca vai ser ‘transformada’ em biodiesel

Animal encalhou repetidas vezes na Alemanha e morreu após polêmica operação de resgate, e será processada por empresa da Dinamarca, que espera produzir combustível. Ossos serão exibidos em museu.
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A saga de “Timmy”, a baleia-jubarte que emocionou a Alemanha após encalhar repetidas vezes na costa do país e que depois foi encontrada morta na Dinamarca, ainda terá um epílogo: seus restos mortais vão virar energia, com a gordura a ser convertida em biodiesel, e o restante, em biomassa.

Na metade de maio, a baleia foi encontrada morta nas proximidades da ilha de Anholt, na Dinamarca, dias após uma controversa, e malsucedida, operação de resgate que transportou o animal enfraquecido da costa alemã do Báltico para o Mar do Norte.

Agora, a baleia, que está em decomposição há mais de um mês, será processada em uma fábrica dinamarquesa, confirmou a empresa Daka Denmark, especializada em produzir biodiesel a partir de gordura animal.

Na fábrica da empresa em Randers, restos de baleias como a jubarte costumam ser separados em três componentes, segundo um porta-voz. A água é limpa e devolvida ao mar. Toda a gordura é transformada em biodiesel. O restante, como ossos, tendões e pele, é processado em uma espécie de farinha, que é usada como biomassa para queima em uma fábrica de cimento.
Na semana passada, a necropsia do animal, revelou que Timmy era uma fêmea. A causa da morte, no entanto, permanece desconhecida.

Durante o exame, que durou várias horas, a baleia foi aberta e cortada em partes. Uma escavadeira colocou os pedaços da carcaça em contêineres preparados, os restos foram removidos da praia e transportados na segunda-feira.

Alguns ossos, recolhidos na sexta-feira, irão para a coleção do Museu de História Natural de Copenhague, capital da Dinamarca.

O drama da baleia ganhou repercussão internacional após uma sequência de encalhes na costa alemã do Mar Báltico e uma derradeira tentativa de resgate controversa. Em 23 de março, a baleia encalhou inicialmente em um banco de areia na costa do estado alemão de Schleswig-Holstein, numa praia chamada Timmendorfer, e isso levou alguns jornais a apelidarem a baleia de “Timmy”.

Após vários dias e uma complexa operação oficial de resgate com o uso de dragas, a baleia conseguiu se libertar, mas pouco depois encalhou novamente, desta vez na Baía de Wismar, no estado vizinho de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental.

A essa altura, profissionais de resgate envolvidos na operação afirmaram que a saúde do mamífero vinha se deteriorando rapidamente.

As autoridades decidiram então dar um pouco de descanso para o animal para que estivesse recuperado e pronto para aproveitar a subida da maré. Inicialmente, ela se soltou novamente e a operação pareceu ser bem-sucedida, mas logo depois a baleia evitou seguir para o Atlântico, permanecendo novamente em águas rasas no Báltico.

No início de abril, autoridades locais e especialistas envolvidos no resgate perderam a esperança de salvar Timmy e decidiram abandonar os esforços oficiais, apontando que novas tentativas configurariam crueldade animal e disseram que o melhor seria deixar a baleia morrer em paz no local.

No entanto, a baleia seguiu viva nas semanas seguintes, intensificando o drama e gerando apelos entre o público por mais tentativas de resgate.

Finalmente, na metade de abril, Till Backhaus, secretário do Meio Ambiente de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, anunciou uma mudança de posição em apoio à nova missão de resgate “única”.

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