O câncer de próstata provocou 11.257 mortes no Brasil em 2026, segundo dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Departamento de Informação e Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). O número equivale a aproximadamente 46 óbitos por dia, quase duas mortes por hora, e reforça o alerta para a importância da prevenção e do diagnóstico precoce da doença.
O assunto voltou a ganhar destaque após a morte do cantor e compositor Benito di Paula, neste domingo (18), depois de enfrentar um câncer. O caso chamou a atenção para os desafios relacionados ao diagnóstico e ao tratamento da doença, que atinge a próstata, glândula do sistema reprodutor masculino localizada abaixo da bexiga. De acordo com os dados divulgados, a região Sudeste concentra mais de 42% das mortes registradas, seguida pelo Nordeste, responsável por aproximadamente 27% dos óbitos. O cenário reforça a necessidade de ampliar a conscientização sobre a doença e facilitar o acesso da população masculina aos serviços de saúde.
Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deverá registrar cerca de 11 mil novos casos da doença por ano até 2028. Um dos principais desafios é que o tumor pode evoluir de forma silenciosa, sem apresentar sintomas nas fases iniciais.
Entre os sintomas que podem aparecer estão dificuldade para urinar, demora para iniciar ou concluir a micção, redução do jato urinário, necessidade de urinar com maior frequência durante o dia ou à noite e presença de sangue na urina. Esses sinais, no entanto, não indicam necessariamente a presença de câncer. Problemas benignos, como a hiperplasia prostática benigna, caracterizada pelo aumento da próstata, e a prostatite, uma inflamação da glândula, também podem provocar sintomas semelhantes. Por isso, a avaliação médica é fundamental para identificar a causa.
Em alguns pacientes, o câncer cresce lentamente. Em outros, pode apresentar evolução mais agressiva e atingir órgãos distantes, em um processo conhecido como metástase, aumentando o risco de complicações e morte.
A idade é um dos principais fatores de risco. No Brasil, nove em cada dez homens diagnosticados com câncer de próstata têm mais de 55 anos. O risco também é maior entre aqueles que possuem histórico familiar da doença, especialmente quando o pai ou irmão recebeu o diagnóstico antes dos 60 anos. O sobrepeso e a obesidade também estão associados a um risco aumentado de formas mais agressivas da doença.
A investigação médica pode incluir o exame de toque retal, que permite avaliar características da próstata, e o exame de sangue PSA, utilizado para medir os níveis do antígeno prostático específico. Os exames podem indicar alterações que precisam ser investigadas, mas não confirmam isoladamente a presença do câncer.
A confirmação do diagnóstico é feita por meio de biópsia, quando indicada pelo médico, com a retirada de pequenos fragmentos da próstata para análise laboratorial.
A identificação do tumor em fases iniciais pode ampliar as possibilidades de tratamento e as chances de cura. A avaliação sobre a realização de exames deve considerar a idade, o histórico familiar, os fatores de risco e as preferências do paciente, em conversa com um profissional de saúde.
Manter uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas, controlar o peso corporal e evitar o tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas são medidas importantes para a saúde geral.
Além dos cuidados preventivos, vencer o medo e a vergonha de conversar sobre a saúde masculina é fundamental. A informação e o acompanhamento médico ajudam a identificar alterações, esclarecer dúvidas e buscar atendimento no momento adequado.
Fonte: Ministério da Saúde
