O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a soberania brasileira e a não interferência em assuntos internos durante o discurso de abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira (22), em Nova York, nos Estados Unidos. A fala ocorreu em meio às tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.
Ao abordar a relação do Brasil com os países da América Latina e Caribe, Lula afirmou que a proximidade geográfica com os Estados Unidos não deve significar submissão. “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, declarou. O presidente também afirmou que diferenças ideológicas não devem impedir a integração entre países vizinhos e criticou o que classificou como ingerência externa em processos eleitorais.
“A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais”, disse Lula. A declaração ocorre durante o período que antecede as eleições brasileiras de outubro. Lula também defendeu a transparência do processo eleitoral e afirmou que o país possui um sistema eleitoral moderno e robusto.
Outro ponto abordado foi a política comercial. Lula criticou o uso de tarifas como instrumento de pressão entre países e afirmou que as medidas adotadas contra produtos brasileiros não impedirão o crescimento das exportações. Segundo o presidente, a Organização Mundial do Comércio (OMC) enfrenta uma crise e precisa recuperar sua capacidade de atuar na resolução de disputas comerciais.
Lula também falou sobre segurança pública e combate ao crime organizado. Ele defendeu a cooperação internacional para combater o tráfico de armas e a lavagem de dinheiro, mas afirmou que o Brasil não deve abrir mão da responsabilidade sobre a própria segurança. No cenário internacional, o presidente voltou a defender o multilateralismo e criticou a dificuldade do Conselho de Segurança da ONU em responder aos conflitos atuais. Ele cobrou uma reforma do órgão para ampliar sua representatividade.
Lula também abordou conflitos internacionais e defendeu a negociação diplomática como caminho para a solução das guerras. Segundo ele, a escalada militar aumenta os impactos econômicos e sociais sobre a população mundial.
Na área econômica e tecnológica, o presidente dedicou parte do discurso à defesa do Pix. Lula afirmou que o governo não pretende ceder a pressões de multinacionais interessadas na privatização do sistema brasileiro de pagamentos. “Não vamos ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso Pix”, afirmou. O presidente ainda tratou de temas como mudanças climáticas, desigualdade social, inteligência artificial, regulação das grandes empresas de tecnologia e combate à fome.
A participação de Lula marca mais uma presença do presidente brasileiro no tradicional discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU, posição ocupada pelo Brasil há décadas. A agenda brasileira em Nova York também inclui reuniões bilaterais e encontros sobre temas econômicos, sociais e internacionais.
Fonte: Diário do Nordeste
