A jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay, de 85 anos, foi anunciada nesta sexta-feira (10) como vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026. O anúncio foi feito pelo Comitê Norueguês do Nobel, em Oslo, na Noruega, em reconhecimento à sua trajetória de defesa dos direitos humanos, da justiça internacional e da paz.
Segundo o presidente do comitê, Jørgen Watne Frydnes, a premiação reconhece a “coragem e integridade excepcionais” de Pillay em sua atuação jurídica e seus esforços para promover a paz e o direito internacional.
Com uma carreira de cinco décadas como advogada e juíza, a sul-africana construiu uma trajetória marcada pelo enfrentamento ao apartheid, regime de segregação racial que vigorou na África do Sul entre as décadas de 1940 e 1990. Durante esse período, a população negra era submetida a severas restrições de direitos políticos e civis.
Pillay teve participação importante na defesa de Nelson Mandela quando ele estava preso, garantindo que o líder sul-africano tivesse acesso a um advogado. Posteriormente, foi nomeada por Mandela para a Suprema Corte do país, tornando-se a primeira mulher não branca a integrar o mais alto tribunal sul-africano.
A partir de 1995, sua atuação ganhou dimensão internacional. Ela se tornou juíza do Tribunal Penal Internacional para Ruanda, criado para julgar os responsáveis pelo genocídio de 1994 naquele país africano. Também atuou em instituições jurídicas internacionais voltadas à responsabilização por crimes graves e à preservação do direito internacional.
Entre 2008 e 2014, Pillay ocupou o cargo de Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, uma das principais funções da organização na defesa das liberdades fundamentais e no acompanhamento de violações cometidas em diferentes partes do mundo.
Mais recentemente, presidiu uma comissão internacional independente de investigação vinculada à ONU que concluiu que Israel cometeu genocídio na Faixa de Gaza durante a guerra contra o Hamas. A conclusão provocou reações políticas e diplomáticas, e o governo israelense criticou a escolha da jurista para o Nobel, acusando a premiação de incentivar o “ódio anti-Israel”.
Ao comentar o significado da escolha, Frydnes afirmou que o prêmio representa uma mensagem àqueles que atacam e enfraquecem o sistema internacional. A declaração foi interpretada como uma crítica indireta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, diante das tensões envolvendo instituições multilaterais.
Em sua primeira manifestação após a divulgação do resultado, Pillay disse ter ficado surpresa com a premiação, defendeu os direitos humanos e fez uma referência irônica à possibilidade de dividir o Nobel da Paz com Trump.
A laureada é a 21ª mulher a receber o Nobel da Paz, entre os 144 vencedores registrados na história da categoria. Além da medalha e do reconhecimento internacional, ela receberá 12 milhões de coroas suecas, valor equivalente a aproximadamente R$ 6 milhões.
A escolha foi celebrada por representantes de instituições internacionais. A presidente do Tribunal Penal Internacional, Tomoko Akane, parabenizou a jurista, enquanto a procuradora-geral adjunta da corte, Nazhat Shameem Khan, classificou a premiação como uma homenagem aos direitos humanos.
O alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, afirmou que o resultado representa uma vitória coletiva da justiça e dos direitos humanos. O presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, também parabenizou Pillay, cuja trajetória permanece associada à luta contra a discriminação racial e à defesa da dignidade humana.
A premiação reforça o reconhecimento internacional do trabalho de Navi Pillay em favor da responsabilização por violações de direitos fundamentais e da atuação das instituições jurídicas internacionais.
Fonte: Uol
