Uma investigação iniciada em 2025 levou a Polícia Civil do Ceará a identificar um núcleo de uma organização criminosa que, segundo as autoridades, utilizava um grupo de WhatsApp para organizar atividades criminosas na Região Metropolitana de Fortaleza.
A apuração resultou em uma operação que cumpriu 12 dos 16 mandados de prisão e de busca e apreensão expedidos pela Justiça. As ordens judiciais foram cumpridas em Fortaleza, Maracanaú, Pacatuba e Itapajé. A maior concentração de prisões ocorreu em um residencial de Pacatuba, apontado pela Polícia Civil como principal área de atuação do grupo.
Entre os presos nesta fase estão quatro mulheres e três pessoas que já estavam recolhidas no sistema prisional por outros crimes. Segundo o delegado Matheus Araújo, chefe do Departamento de Polícia Metropolitana, a investigação teve início após a prisão de um suspeito e a apreensão de aparelhos celulares em 2025.
A análise do conteúdo dos telefones levou os investigadores até um grupo de WhatsApp chamado “Autoescola Fortaleza”. Apesar do nome, o espaço virtual, conforme a investigação, não tinha relação com uma autoescola. O grupo seria utilizado pelos integrantes do núcleo criminoso para acompanhar a atuação dos membros e transmitir orientações.
As conversas analisadas indicaram, segundo a Polícia Civil, a existência de uma estrutura interna de organização, com divisão de áreas dentro do residencial e orientações relacionadas ao tráfico de drogas. Os investigadores também identificaram conversas sobre formas de arrecadação de dinheiro. Entre elas estariam rifas envolvendo armas de fogo e outros materiais bélicos.
Outro conteúdo encontrado fazia referência ao chamado “Tribunal do Crime”. O delegado, entretanto, afirmou que a investigação não confirmou que o grupo tenha determinado mortes. O material apreendido ainda será analisado pela Polícia Civil para esclarecer o funcionamento do núcleo e identificar a participação de cada integrante.
Embora Pacatuba seja apontada como principal área de atuação, os investigadores também localizaram suspeitos em Fortaleza, Maracanaú e Itapajé. De acordo com Matheus Araújo, a mudança de endereço de alguns investigados durante o período de tramitação dos pedidos judiciais fez com que a operação precisasse ser realizada simultaneamente em diferentes municípios.
Durante a ação, os policiais apreenderam mais de dez aparelhos celulares, que deverão passar por perícia. Em um dos endereços vistoriados também foi encontrada uma porção de maconha. A Polícia Civil continua as diligências para localizar os demais alvos que ainda não foram encontrados.
Ao todo, foram expedidos 16 mandados, dos quais 12 haviam sido cumpridos até o momento informado pelas autoridades. Segundo o Departamento de Polícia Metropolitana, a operação faz parte da estratégia de intensificação do combate ao crime organizado na Região Metropolitana de Fortaleza. Ainda conforme o delegado Matheus Araújo, o departamento já realizou 41 operações neste ano. Os novos celulares apreendidos poderão fornecer informações adicionais sobre a estrutura e a atuação da organização criminosa.
A investigação, portanto, permanece em andamento, enquanto os policiais buscam os demais alvos e aprofundam a análise do material apreendido.
Fonte: GC Mais
