Alunos sem saneamento básico têm quase dois anos de estudos a menos no Ceará

Painel do Instituto Trata Brasil evidencia os impactos da saúde pública na educação formal.
Compartilhe

Um esgoto que passa na porta carrega com ele diversos direitos violados – entre eles o óbvio, à saúde, e outro gigante, à educação. Quem não tem acesso a saneamento básico no Ceará chega à vida adulta com quase dois anos de estudo formal a menos do que quem tem. Uma desigualdade que impacta todo o curso da vida.

Cearenses com acesso a água potável e à rede de coleta e tratamento de esgoto estudam, em média, durante 8,52 anos. Entre os que não têm a salubridade garantida, o tempo cai para 6,89 anos – 1,63 a menos.

O dado é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2024, e consta no Painel Saneamento Brasil, do Instituto Trata Brasil (ITB). A instituição alerta para os sérios impactos da saúde pública na educação – principalmente entre crianças e adolescentes.

A explicação é simples: “pessoas sem acesso a saneamento têm um índice maior de doenças como leptospiroseesquistossomosediarreia dengue, que causam prejuízo no desenvolvimento físico, intelectual e neurológico das crianças”, aponta Luana Pretto, presidente executiva do ITB.

A janela mais perigosa é a da primeira infância, de 0 a 2 anos. “É quando praticamente 80% do desenvolvimento cerebral acontece. Se não tem acesso a água tratada e coleta e tratamento dos esgotos, esse bebê vai gastar energia tentando sobreviver, que poderia estar sendo utilizada para o estabelecimento das conexões neurais”, adiciona Luana. 

“Isso prejudica o aprendizado, principalmente em áreas exatas, como matemática, e desmotiva a criança. Ela vai ter maiores dificuldades de atingir alguns marcos de desenvolvimento”, analisa a especialista. 

A diferença de escolaridade média entre crianças que têm acesso ao saneamento (9,5 anos) e as que não têm (7,5 anos) é de dois anos no Brasil. O Ceará, então, tem uma desigualdade ligeiramente menor que a média nacional.

Danos perseguem até a vida adulta

Os prejuízos plantados na infância são colhidos ao longo de toda a vida. O estudo do Trata Brasil apontou que, ao longo de 35 anos de atividade profissional, uma pessoa que na infância não teve acesso ao saneamento recebe 46% a menos de acúmulo de salário.

“Vemos aí uma diferença que pode refletir na possibilidade de comprar ou não um apartamento ou uma casa, de dar um estudo melhor para o seu filho ou não, de ter condições adequadas de desenvolvimento de uma maneira geral”, reflete Luana Pretto.

Fonte: Diário do Nordeste.

Você pode gostar

A principal surpresa da convocação foi a ausência do atacante Neymar, atualmente no Santos, o jogador não atua desde outubro de 2023 e era uma das expectativas para esta convocação.
De acordo com a agência reguladora, o azeite de oliva extra virgem da marca apresenta origem desconhecida
Ex-presidente permanece internado com suporte clínico, além de fisioterapia respiratória e motora.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você também pode se interessar
Publicidade