O mercado financeiro brasileiro iniciou a semana sob forte turbulência nesta segunda-feira (26), no primeiro pregão após a confirmação da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a Presidência da República. A reação dos investidores provocou uma queda expressiva na Bolsa de Valores, disparada do dólar e alta nas taxas de juros futuros.
Logo nos primeiros minutos de negociação, a intensa pressão vendedora levou ao acionamento do circuit breaker, mecanismo de proteção utilizado pela B3 para interromper temporariamente as operações diante de oscilações extremas do mercado.
A suspensão ocorreu após o Ibovespa, principal indicador da Bolsa brasileira, registrar queda superior a 10%. As negociações ficaram paralisadas por 30 minutos, procedimento que não era utilizado desde março de 2020, durante a pandemia de Covid-19.
Após a retomada das operações, o mercado continuou apresentando forte volatilidade. Por volta das 14h20, o Ibovespa recuava 13,92%, aos 176.456,68 pontos, enquanto diversos ativos permaneciam em leilão.
Mais cedo, o índice chegou a registrar queda de 17,34%, atingindo a mínima de 169.516,43 pontos. Caso o movimento se confirmasse até o encerramento do pregão, o resultado poderia representar o pior desempenho percentual diário desde setembro de 1998, período marcado pela moratória russa.
Segundo Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, a pressão vendedora provocou a interrupção das negociações logo no início do pregão. Durante a suspensão, também ficaram paralisadas operações envolvendo renda fixa privada, opções, BDRs, ETFs e outros instrumentos financeiros.
DÓLAR DISPARA E JUROS SOBEM
No mercado cambial, o dólar apresentou forte valorização frente ao real. Na abertura, a moeda norte-americana chegou a subir 12,52%, sendo negociada a R$ 5,60. Por volta das 13h25, a alta permanecia próxima de 9%, com a cotação ao redor de R$ 5,43.
Os contratos futuros do Ibovespa também registraram perdas expressivas. O vencimento de 16 de dezembro de 2026 chegou a recuar mais de 17% nos primeiros negócios.
Diante da volatilidade, os limites de oscilação dos contratos futuros foram ampliados. O limite inferior, inicialmente estabelecido em 15%, passou a permitir quedas de até 20%.
As taxas dos contratos de juros futuros, conhecidos como DIs, também avançaram significativamente. O contrato para janeiro de 2028 alcançou 14,915% ao ano, ante 12,859% no ajuste anterior.
Na ponta mais longa da curva, o DI para janeiro de 2035 subiu para 15,375%, em comparação com 12,745% na sessão anterior.
REAÇÃO AO RESULTADO ELEITORAL
A turbulência financeira ocorre após a confirmação da vitória de Lula, que conquistou mais de 51% dos votos válidos e garantiu um quarto mandato presidencial.
O resultado contrariou as expectativas de parte dos investidores, que demonstravam preferência pela vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato da oposição.
Pesquisas divulgadas durante o segundo turno chegaram a indicar vantagem do adversário em determinados levantamentos, alimentando expectativas no mercado financeiro.
A reação dos ativos demonstra o impacto das expectativas políticas sobre as decisões dos investidores. No entanto, o comportamento da Bolsa, do dólar e dos juros também depende de fatores econômicos, fiscais e das perspectivas para a condução da política econômica do próximo governo.
Fonte: CNN Brasil
