Mercado financeiro eleva previsão de inflação e taxa de juros para 2024

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Em setembro, a inflação registrou uma alta de 0,44%, influenciada principalmente pelo aumento nas tarifas de energia elétrica

O mercado financeiro ajustou suas expectativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano, aumentando a previsão de inflação de 4,39% para 4,5%, segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (21). Esse índice, que reflete a inflação oficial do país, está no teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para 2024, que é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

As projeções para os anos seguintes também sofreram alterações. A expectativa de inflação para 2025 subiu de 3,96% para 3,99%, enquanto as estimativas para 2026 e 2027 se mantiveram em 3,6% e 3,5%, respectivamente. A partir de 2025, o Brasil adotará um sistema de metas contínuas de inflação, eliminando a necessidade de revisão anual por parte do CMN, com o centro da meta fixado em 3%, também com margem de 1,5 ponto percentual.

Em setembro, a inflação registrou uma alta de 0,44%, influenciada principalmente pelo aumento nas tarifas de energia elétrica. Com isso, o IPCA acumula alta de 4,42% nos últimos 12 meses, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para manter a inflação dentro das metas, o Banco Central conta com a taxa básica de juros, a Selic, como principal instrumento de controle. Atualmente em 10,75% ao ano, a taxa passou por sucessivos cortes desde agosto de 2022, quando estava em 13,75%. No entanto, o mercado já prevê um aumento para 11,75% ao ano até o fim de 2024, diante das pressões inflacionárias e incertezas econômicas. Em 2025, espera-se que a Selic caia para 11,25%, seguida de novas reduções em 2026 e 2027, para 9,5% e 9%, respectivamente.

Os ajustes na Selic visam controlar a demanda e, consequentemente, segurar os preços ao encarecer o crédito e incentivar a poupança. No entanto, o aumento dos juros tem o efeito colateral de restringir a expansão econômica, já que torna o crédito menos acessível e reduz o consumo. Por outro lado, quando a Selic é reduzida, há um estímulo à produção e ao consumo, mas o risco de descontrole inflacionário aumenta.

O mercado financeiro também revisou suas expectativas de crescimento econômico para 2024. O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, que superou as expectativas ao crescer 3,3% no segundo trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2023, deve encerrar 2024 com alta de 3,05%, levemente acima da previsão anterior de 3,01%. Para 2025, a estimativa de crescimento do PIB é de 1,93%, e para 2026 e 2027, de 2%.

Outro ponto de atenção é o câmbio. O mercado prevê que o dólar encerrará 2024 cotado a R$ 5,42. Para 2025, a estimativa é que a moeda norte-americana feche o ano em R$ 5,40, refletindo as incertezas globais e os movimentos domésticos na política monetária.

Esses ajustes nas previsões refletem um cenário de cautela por parte das instituições financeiras, que monitoram de perto os movimentos da inflação e seus impactos na economia brasileira. O aumento nas expectativas inflacionárias, aliado às oscilações na taxa de juros, deve continuar ditando o ritmo das políticas econômicas nos próximos anos. A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) marcada para novembro é aguardada com expectativa, podendo trazer novos ajustes na Selic para enfrentar os desafios que se desenham no horizonte econômico do país.

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