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De advogado a policial: veja a suposta teia no Ceará para fornecer armas ao Comando Vermelho

Entre os denunciados estão o policial civil João Paulo de Carvalho Barbosa e o advogado Miguel Fernandes Pessoa Neto. A pedido do MPCE
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Uma investigação sobre crimes de comércio ilegal de armas de fogo, extorsão e receptação no Ceará levou à descoberta de um suposto esquema envolvendo venda de armamentos e organização criminosa. Segundo o Ministério Público do Ceará (MPCE), o grupo teria a participação de um policial civil e de um advogado.

Ao todo, seis homens e quatro mulheres foram denunciados pelo MPCE por suposta participação na organização criminosa. O comerciante Paulo Roberto Ribeiro de Melo é apontado como líder do grupo e, conforme a investigação, teria atuado como uma espécie de braço financeiro do Comando Vermelho, além de participar da comercialização de armas com integrantes de facções criminosas. A Polícia afirma que ele teria envolvimento com cerca de 40 fuzis.

Entre os denunciados estão o policial civil João Paulo de Carvalho Barbosa e o advogado Miguel Fernandes Pessoa Neto. A pedido do MPCE, a Justiça decretou a prisão preventiva do policial.

A defesa de João Paulo, representada pelo advogado Kaio Castro, afirma que a acusação parte de uma premissa equivocada, pois o agente ainda não integrava a Polícia Civil na época dos fatos investigados. A defesa também sustenta que não houve indiciamento nem pedido de prisão feito pela autoridade policial e que a medida solicitada pelo Ministério Público já foi contestada judicialmente.

A defesa do advogado Miguel Fernandes não foi localizada.

Como o esquema teria funcionado

De acordo com a denúncia apresentada pelo MPCE em setembro, a organização seria formada por dez pessoas, com estrutura definida e divisão de tarefas.

As investigações começaram após uma suposta vítima relatar, em 2024, ter comprado uma pistola calibre 9 mm, mas não ter recebido a arma. Segundo a acusação, Paulo Roberto teria exigido R$ 9 mil pelo armamento, valor considerado elevado em relação ao preço de mercado.

Com o avanço das apurações, os investigadores passaram a relacionar Paulo Roberto a outros crimes, como lavagem de dinheiro, movimentações financeiras suspeitas, uso de empresas e pessoas como laranjas, comércio ilegal de armas, tráfico de drogas e suposta exploração de serviços de internet para controle territorial.

Ainda conforme o MPCE, empresas registradas em nome de Paulo e de familiares seriam utilizadas para simular operações comerciais e justificar a entrada de recursos de origem ilícita. A investigação também aponta supostas práticas envolvendo mineração de criptomoedas, agiotagem e utilização de contas bancárias de terceiros.

A acusação afirma ainda que moradores de condomínios teriam sido coagidos a contratar serviços de internet de uma empresa ligada à companheira de Paulo Roberto, Erivânia de Sousa Bezerra.

Conversas interceptadas

Com autorização judicial para quebra dos sigilos telefônico e telemático de Paulo Roberto, os investigadores identificaram outros possíveis integrantes do grupo.

Segundo o MPCE, o policial civil João Paulo, citado nas conversas pelo apelido de “Negão”, teria utilizado sua função para auxiliar a organização, repassando informações internas da Polícia e recebendo valores em troca.

O Ministério Público afirma que João Paulo foi chamado para prestar esclarecimentos, mas não compareceu à delegacia.

Na denúncia, o órgão sustenta que existem indícios de que o policial integraria a organização e teria praticado corrupção passiva.

O MPCE também atribui diferentes funções aos demais denunciados. Antônio Alisson Duarte dos Santos é acusado de comercializar armas e participar de lavagem de dinheiro. O advogado Miguel Fernandes é apontado como envolvido na venda de armamentos e em suposta corrupção ativa do servidor público.

Glauberto Gonçalves Silva é acusado de auxiliar Paulo Roberto em atividades de agiotagem e na comercialização de armas.

Maria Senhorinha Ribeiro de Sousa, apontada como mãe de Paulo Roberto, teria empresas registradas em seu nome que seriam utilizadas para simular vendas e movimentações financeiras.

Erivânia de Sousa Bezerra, companheira de Paulo, aparece na investigação relacionada a uma empresa de internet que, segundo o MPCE, teria conexão com o suposto controle territorial do serviço.

Já Sílvia Roberta Ribeiro de Melo e Kaline Kelly Rodrigues de Sousa são acusadas de emprestar contas bancárias para a movimentação de valores atribuídos a Paulo Roberto.

Os demais denunciados são João Pedro Caetano Teixeira, operador de máquina, e Antônio Alisson Duarte dos Santos, vendedor.

As acusações ainda serão analisadas pela Justiça, e os denunciados têm direito à ampla defesa e ao contraditório. As defesas dos demais envolvidos não foram localizadas. O espaço permanece aberto para eventuais manifestações.

Fonte: Diário do Nordeste

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