Os advogados Rafael de Souza Costa, de 40 anos, e Renata Estevam Barroso, de 38, foram presos preventivamente na manhã da última sexta-feira (9), durante a operação “Elo Oculto”, deflagrada pelo Ministério Público do Ceará (MPCE). Eles são suspeitos de manter ligação com uma liderança local do Comando Vermelho (CV) e de utilizar a atividade profissional para facilitar ações criminosas, conforme as investigações.
Rafael já havia sido preso no início de 2026, por uma suposta ligação com a facção Massa. Na ocasião da nova prisão, ele estaria utilizando tornozeleira eletrônica e é investigado por possíveis contatos com integrantes da facção carioca.
Os mandados de prisão preventiva foram expedidos pela Vara de Delitos de Organizações Criminosas do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) e cumpridos nas residências dos investigados. No mesmo dia, os dois passaram por audiência de custódia.
Em nota, a Ordem dos Advogados do Brasil no Ceará (OAB-CE) informou que acompanha o caso por meio da Diretoria de Prerrogativas, do Centro de Apoio ao Advogado e do Tribunal de Ética e Disciplina. A entidade destacou que acompanha a legalidade dos procedimentos e o respeito aos direitos dos profissionais, incluindo a ampla defesa e o contraditório.
A OAB-CE também ressaltou que não compactua com condutas contrárias à ética e aos deveres da advocacia e que poderá adotar medidas disciplinares caso sejam constatadas infrações.
OPERAÇÃO ELO OCULTO
A operação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do MPCE. Ao todo, foram expedidos oito mandados judiciais, sendo quatro de prisão e quatro de busca e apreensão.
As investigações apontam que os advogados manteriam contato com Geovane Diogo Silva Oliveira, apontado como liderança criminosa e que já estava preso. A esposa dele, também investigada, estaria em liberdade e atuaria na intermediação dos contatos entre a liderança e os profissionais.
Segundo o Ministério Público, o objetivo da operação é desarticular uma rede de comunicação utilizada para transmitir mensagens, orientações e informações entre uma liderança custodiada e integrantes da organização criminosa que permanecem fora do sistema prisional.
As diligências ocorreram em Caucaia, Fortaleza, Itaitinga e São Gonçalo do Amarante, com apoio da Polícia Civil do Ceará (PCCE) e da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP).
COMUNICAÇÃO A PARTIR DA PRISÃO
Conforme o MPCE, as apurações identificaram uma estrutura que permitiria o repasse de informações e orientações do ambiente prisional para o meio externo, mantendo articulações da organização mesmo com a liderança detida.
A investigação continua para identificar e localizar outros possíveis envolvidos no esquema.
RELAÇÃO COM A CHACINA DO BENFICA
Geovane Diogo Silva Oliveira também é apontado como um dos alvos dos responsáveis pela Chacina do Benfica, ocorrida em Fortaleza, em março de 2018. Na época, os criminosos procuravam vingança pela morte de um integrante do grupo, registrada cerca de um mês antes.
Segundo as investigações, os suspeitos receberam informações de que Geovane estaria na Praça da Gentilândia. Ele não foi encontrado no local, mas seu primo, José Gilmar de Oliveira Júnior, conhecido como “Júnior Biba”, foi uma das vítimas do massacre.
Em 2019, dois réus acusados de participação na chacina foram julgados e condenados a 189 e 170 anos de prisão, respectivamente.
Fonte: Diário do Nordeste
