A Justiça do Ceará decidiu levar a júri popular quatro homens acusados de participar do assassinato do policial civil aposentado João Lopes Cavalcante, de 70 anos. O crime ocorreu em outubro de 2025, dentro da loja de sucatas da vítima, na Avenida José Bastos, em Fortaleza.
Segundo a investigação, Antônio Celielton de Oliveira Linhares, Francisco Joel Moura de Alencar, Samuel Sampaio Maciel e Samuel Teixeira Damasceno teriam participado da ação, que, conforme a acusação, foi motivada pelo fato de João Lopes ser policial.
O Ministério Público do Ceará (MPCE) havia pedido a pronúncia dos quatro réus nas alegações finais. Testemunhas relataram que um dos suspeitos teria dito à vítima: “Sei que tu é polícia, não reage”.
João Lopes estava armado no momento do ataque, mas não conseguiu reagir. Conforme a investigação, ele teria levado a mão até a pistola que carregava no bolso após ouvir a ordem para não reagir, mas foi atingido pelos disparos antes de sacar a arma. Socorrido, o policial não resistiu aos ferimentos.
Como ocorreu o crime
O homicídio aconteceu por volta das 17h30 do dia 10 de outubro de 2025. De acordo com a acusação, Francisco Joel teria conduzido o carro usado para levar Antônio e Samuel Damasceno até o estabelecimento.
Antônio é apontado como um dos executores dos disparos. Samuel Damasceno, segundo a investigação, teria fornecido a arma utilizada no crime. Após a execução, Samuel Sampaio teria usado uma motocicleta para auxiliar na fuga de Antônio.
A investigação também identificou contatos telefônicos entre os envolvidos após o homicídio. Segundo os investigadores, as comunicações indicariam um ponto de encontro para a devolução da arma usada no assassinato.
Imagens de câmeras de segurança também foram analisadas. Uma testemunha relatou ainda que a motocicleta utilizada na fuga foi posteriormente vendida por Samuel Sampaio.
Motivação teria sido o fato de a vítima ser policial
Inicialmente, a Polícia investigou a possibilidade de o assassinato estar relacionado a uma disputa envolvendo um imóvel pertencente à vítima que havia sido invadido.
Buscas e análises de dados telemáticos, porém, não encontraram provas que sustentassem essa hipótese. A investigação passou então a considerar os relatos de testemunhas de que o executor teria identificado João Lopes como policial e ordenado que ele não reagisse.
Nenhum pertence da vítima foi levado pelos criminosos após o assassinato. Para a Polícia, a ausência de indícios de motivação patrimonial reforçou a conclusão de que o crime teria ocorrido em razão da condição de policial da vítima.
Prisões preventivas são mantidas
As prisões preventivas dos quatro acusados foram mantidas em decisão proferida neste mês pelo juiz da 5ª Vara do Júri de Fortaleza.
Na decisão, o magistrado destacou a gravidade do crime, apontando que o policial aposentado foi atingido por disparos de arma de fogo, sem possibilidade de defesa, e que a ação teria sido praticada por mais de uma pessoa.
Os acusados foram presos cerca de um mês após o homicídio.
Ainda não há data definida para a realização do júri popular.
As defesas de Francisco Joel e Samuel Teixeira foram procuradas pela reportagem, mas não haviam se manifestado até a publicação. As defesas dos demais denunciados não foram localizadas.
Fonte: Diário do Nordeste
