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Câncer de pulmão do Papa Leão XIV acende alerta para aumento de casos entre não fumantes

O diagnóstico de câncer de pulmão do Papa Leão XIV, anunciado em 13 de outubro de 2026, também trouxe atenção para os casos registrados entre pessoas que nunca fumaram
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O perfil dos pacientes com câncer de pulmão está mudando. Tradicionalmente associado a homens idosos com histórico de tabagismo, a doença tem sido diagnosticada com maior frequência em mulheres, pessoas que nunca fumaram e adultos mais jovens. A tendência tem chamado a atenção de pesquisadores e especialistas para a influência de fatores genéticos e ambientais no desenvolvimento da doença.

O câncer de pulmão é a principal causa de morte por câncer entre as mulheres. Segundo a American Lung Association, enquanto as taxas da doença aumentaram 79% entre as mulheres nos últimos 44 anos, houve uma redução de 43% entre os homens. Além disso, pela primeira vez, mulheres jovens passaram a ser diagnosticadas com a doença em número superior ao dos homens da mesma faixa etária.

O diagnóstico de câncer de pulmão do Papa Leão XIV, anunciado em 13 de outubro de 2026, também trouxe atenção para os casos registrados entre pessoas que nunca fumaram. Segundo relatos, o pontífice não é fumante. Especialistas ressaltam que o tabagismo não é o único fator associado à doença, que também pode estar relacionada à poluição, à exposição a substâncias cancerígenas e à predisposição genética.

Quando identificado nos estágios iniciais, o câncer de pulmão pode ser tratado por meio de cirurgia e, em alguns casos, curado, tanto em fumantes quanto em pessoas que nunca fumaram. Um dos principais desafios é que indivíduos sem histórico de tabagismo não se enquadram, atualmente, nos critérios tradicionais de rastreamento da doença nos Estados Unidos. Por isso, muitos tumores acabam sendo descobertos por acaso, o que pode atrasar o diagnóstico.

Por que os casos aumentam entre as mulheres?

Uma das explicações apontadas pelos pesquisadores é que as mulheres começaram a fumar em maior escala mais tarde do que os homens, o que pode ter contribuído para o aumento posterior dos diagnósticos relacionados ao tabagismo.

Outro fator está associado aos cigarros com filtro, cujo uso se popularizou em determinados períodos. A forma como esses produtos distribuem a fumaça pode favorecer o desenvolvimento do adenocarcinoma, um dos tipos mais comuns de câncer de pulmão.

Estudos também sugerem que as mulheres podem apresentar maior suscetibilidade aos efeitos cancerígenos do tabaco e do fumo passivo. No entanto, o crescimento dos diagnósticos entre pessoas que nunca fumaram é outro ponto importante: cerca de 20% das mulheres diagnosticadas com câncer de pulmão nunca fumaram, proporção superior à observada entre os homens.

Quais são os fatores de risco?

Além do cigarro e da exposição à fumaça do tabaco, outros fatores podem aumentar o risco de câncer de pulmão. Entre eles estão:

  • Histórico familiar da doença;
  • Exposição ao gás radônio e ao amianto;
  • Poluição do ar;
  • Contato profissional com substâncias cancerígenas, como arsênio, berílio, cádmio, sílica e níquel;
  • Possíveis efeitos relacionados ao uso de cigarros eletrônicos e à exposição à fumaça da maconha, ainda em investigação.

A genética também pode influenciar o desenvolvimento da doença, especialmente em famílias com vários casos de câncer de pulmão. Pesquisadores investigam alterações genéticas que podem aumentar a predisposição ao tumor e contribuir para o desenvolvimento de métodos de detecção precoce.

Quem deve fazer o rastreamento?

Nos Estados Unidos, as diretrizes atualizadas em 2021 recomendam o rastreamento por tomografia computadorizada de baixa dose para adultos entre 50 e 80 anos que tenham histórico de tabagismo equivalente a pelo menos 20 anos-maço, sejam fumantes atuais ou tenham parado de fumar nos últimos 15 anos.

A recomendação, porém, não abrange de forma geral pessoas que nunca fumaram, mesmo que apresentem outros fatores de risco. Por isso, especialistas destacam a importância de conversar com um médico sobre o histórico familiar, as exposições ambientais e a necessidade de avaliação individualizada.

Dados citados pela American Lung Association indicam uma diferença expressiva entre os exames preventivos: enquanto mais de 70% das mulheres elegíveis realizam o rastreamento do câncer de mama nos Estados Unidos, menos de 6% das pessoas elegíveis para o rastreamento do câncer de pulmão fazem o exame. A ampliação dos critérios de elegibilidade poderia aumentar o número de mulheres com acesso à avaliação preventiva.

Sintomas podem ser confundidos com outras doenças

Os sinais do câncer de pulmão nem sempre são facilmente reconhecidos. Tosse persistente, falta de ar, cansaço intenso e dores nas costas, no peito ou nos ombros podem ser confundidos com sintomas de outras condições.

Em mulheres mais jovens e pessoas que nunca fumaram, a ausência dos fatores de risco tradicionalmente associados à doença pode fazer com que tanto pacientes quanto profissionais de saúde demorem a considerar essa possibilidade.

Por isso, a persistência dos sintomas deve ser avaliada por um profissional de saúde, principalmente quando há histórico familiar ou exposição a fatores de risco.

Avanços no tratamento

Os avanços na identificação de alterações genéticas e no uso do sistema imunológico contra o câncer permitiram o desenvolvimento de terapias direcionadas e imunoterapias, ampliando as opções de tratamento e melhorando o prognóstico de muitos pacientes.

Mulheres podem apresentar resultados mais favoráveis em determinadas situações, especialmente quando nunca fumaram e possuem tumores com alterações moleculares que respondem a tratamentos específicos.

Para os especialistas, ampliar o conhecimento sobre os sintomas, identificar os grupos de maior risco e avançar nas pesquisas genéticas são medidas importantes para melhorar o diagnóstico precoce e combater o câncer de pulmão.

Texto baseado em artigo de Estelamari Rodriguez, diretora associada de Extensão Comunitária em Oncologia Torácica da Universidade de Miami, publicado originalmente pelo The Conversation US em 1º de fevereiro de 2023 e posteriormente atualizado.

Fonte: G1

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