O cálculo do período fértil, a medição diária da temperatura corporal e a observação das secreções vaginais estão entre os chamados métodos contraceptivos naturais, que vêm ganhando espaço entre mulheres que desejam evitar o uso de hormônios. Apesar do apelo, esses métodos exigem disciplina e um acompanhamento rigoroso para alcançar alguma eficácia.
A secretária municipal Louise, de 26 anos, relata que teve experiências negativas com contraceptivos hormonais. Após rejeitar um DIU hormonal e sofrer efeitos colaterais com um implante como ganho de peso, alterações de humor e depressão, ela optou por métodos naturais, baseados no controle do ciclo menstrual e abstinência no período fértil.
Esse movimento tem crescido. Dados do Inserm mostram que o uso de métodos naturais subiu de 4,6% em 2016 para 7,5% em 2023. Entre os mais conhecidos estão a tabelinha (ou método de Ogino), o método da temperatura, o método de Billings que analisa o muco cervical e o sintotérmico, que combina diferentes sinais do corpo.
Especialistas apontam que esse aumento está ligado a uma crescente desconfiança em relação aos hormônios, fenômeno chamado de “hormonofobia”. Segundo o ginecologista Geoffroy Robin, essa percepção se intensificou após discussões sobre riscos associados a pílulas anticoncepcionais mais recentes, além da disseminação de informações incorretas nas redes sociais.
O uso da pílula, por exemplo, caiu significativamente na França: de mais de 50% em 2005 para 26,8% em 2023, segundo o Inserm. Para a socióloga Cécile Thomé, do CNRS, essa mudança também reflete uma busca maior por bem-estar, autoconhecimento e controle do próprio corpo.
No entanto, os métodos naturais têm limitações. Eles podem falhar, especialmente em mulheres com ciclos irregulares cerca de uma em cada cinco, segundo especialistas. Além disso, fatores como doenças, uso de medicamentos e mudanças na rotina podem interferir nos sinais observados.
Há casos que ilustram esses riscos. A empresária Elodie Monnier Legrand, após abandonar a pílula e investir em tecnologia para monitorar seu ciclo, engravidou duas vezes em pouco tempo, resultando em abortos espontâneos. Ela destaca a falta de confiabilidade do método, apesar do potencial.
Entre as alternativas naturais, o método sintotérmico é considerado mais eficaz quando bem aplicado, mas exige treinamento adequado. Na França, profissionais de saúde têm oferecido cursos e acompanhamento especializado. Plataformas digitais também surgiram para atender à demanda crescente, com programas que ensinam o uso correto dessas técnicas.
Mesmo com orientação, especialistas reforçam: esses métodos são mais indicados para quem aceita o risco de uma possível gravidez e está disposta a manter disciplina constante no acompanhamento do ciclo.
Fonte: G1
