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Pacientes com câncer são vítimas de suspeita de fraude e falsificação de medicamentos

Pacientes em tratamento contra o câncer podem ter sido vítimas de um esquema criminoso envolvendo suspeitas de falsificação de medicamentos
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Pacientes em tratamento contra o câncer podem ter sido vítimas de um esquema criminoso envolvendo suspeitas de falsificação de medicamentos, superfaturamento e fraudes em licitações. As investigações apontam o possível envolvimento de empresários, médicos, advogados e funcionários da área da saúde em diferentes cidades do Brasil.

No Rio Grande do Sul, a Operação Placebo, deflagrada pela Polícia Civil em 29 de junho, cumpriu 56 mandados de busca e apreensão. O principal alvo, o empresário Lisandro Henriques Hermes, foi preso em flagrante após a polícia encontrar caixas de medicamentos com indícios de adulteração em sua residência. Ele nega envolvimento nas irregularidades.

As suspeitas começaram na Santa Casa de Caridade de São Gabriel, onde funcionários do setor oncológico identificaram um lote de medicamentos com possíveis sinais de falsificação. Entre os indícios apontados estão erros de grafia, alterações na coloração e textura, além de embalagens e bulas com idiomas diferentes. O laboratório responsável pelo medicamento não reconheceu a autenticidade do lote, e a distribuição foi suspensa.

Pacientes podem ter ficado sem tratamento

Duas pacientes atendidas pelo médico Fernando Borges da Silva, em São Gabriel, tiveram suas histórias relacionadas às investigações. Maria Jupira, que tratava um câncer no pulmão, ficou cerca de dois meses sem o tratamento adequado após a apreensão dos medicamentos. Posteriormente, recebeu outras medicações, mas morreu aos 57 anos. A família não sabe se ela chegou a utilizar medicamentos suspeitos.

Já Mara Rodrigues, que enfrentava um câncer com metástase óssea, recebeu uma prescrição de medicamento importado, com indicação de um advogado para buscar o custeio judicial pelo Estado. Segundo a família, o tratamento não apresentou resultados e o médico teria informado a necessidade de solicitar uma nova medicação. Após meses sem conseguir contato com o profissional, Mara conseguiu uma nova consulta e recebeu medicamentos para continuar o tratamento.

A Santa Casa informou que suspendeu o médico após tomar conhecimento da investigação, negou ser investigada na Operação Placebo e afirmou colaborar com as autoridades. A defesa do médico negou qualquer conduta ilícita.

Fraudes também são investigadas no Paraná e no Mato Grosso do Sul

Em Cascavel, no Paraná, as investigações apontam que uma farmácia ligada ao grupo investigado venceu uma licitação para fornecer medicamentos a Yasmin, de 12 anos, que tratava um neuroblastoma. Segundo a apuração, aproximadamente R$ 2,5 milhões teriam sido desviados, com a entrega de apenas parte dos medicamentos. A menina morreu em fevereiro. O empresário afirma ser inocente.

No Mato Grosso do Sul, a Defensoria Pública identificou suspeitas de fraude na compra judicial de medicamentos para pacientes com câncer. Os investigadores apontam que farmácias teriam fornecido medicamentos importados sem registro na Anvisa, além de possíveis falsificações de receitas e superfaturamento.

Entre 2021 e 2025, empresas envolvidas no esquema teriam movimentado mais de R$ 70 milhões, segundo a Receita Federal. Dois funcionários da Secretaria Estadual de Saúde foram afastados.

As investigações sobre possíveis irregularidades na distribuição de medicamentos também alcançam o Rio de Janeiro e o Ceará. No Rio Grande do Sul, o resultado da perícia nos medicamentos apreendidos ainda não tinha data definida para divulgação.

O caso levanta preocupações sobre a segurança dos pacientes, a fiscalização da cadeia de fornecimento de medicamentos e o uso de recursos públicos destinados ao tratamento de doenças graves.

Fonte: G1

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