Pílula contra câncer de pâncreas é aprovada nos EUA após resultados que surpreenderam oncologistas
A pílula contra o câncer de pâncreas que provocou uma rara ovação de pé entre médicos no maior congresso de oncologia do mundo foi aprovada nesta quarta-feira (26) nos Estados Unidos.
A FDA, agência reguladora americana, autorizou o uso do daraxonrasib, comercializado como Rasonque, para determinados pacientes adultos com adenocarcinoma de pâncreas metastático que já tenham recebido pelo menos um tratamento sistêmico ou que não possam receber uma combinação de medicamentos.
A aprovação ocorreu menos de três meses depois da apresentação dos resultados na conferência da American Society of Clinical Oncology (ASCO), em Chicago. Na ocasião, médicos se levantaram para aplaudir os dados de um estudo de fase 3 com cerca de 500 pacientes.
O medicamento praticamente dobrou a sobrevida mediana em comparação com a quimioterapia convencional.
Resultados chamaram atenção
O daraxonrasib é tomado uma vez ao dia e atua sobre diferentes formas da proteína RAS, envolvida no crescimento dos tumores e alterada na maioria dos casos de adenocarcinoma de pâncreas.
No estudo RASolute 302, considerado um dos formatos mais rigorosos da pesquisa clínica, os pacientes foram divididos aleatoriamente entre o tratamento com o comprimido e a quimioterapia.
Entre os pacientes com a mutação RAS G12, a sobrevida mediana foi de 13,2 meses com o daraxonrasib, contra 6,6 meses com a quimioterapia.
O risco de morte caiu 60%, enquanto o período até a progressão da doença passou de 3,5 para 7,3 meses.
Além disso, mais de 31% dos pacientes tratados com o comprimido apresentaram redução mensurável do tumor, contra 11,2% entre aqueles que receberam quimioterapia.
Outro resultado considerado relevante foi a tolerabilidade. Apenas 1,2% dos pacientes que receberam daraxonrasib precisaram interromper o tratamento por efeitos colaterais, ante 11,2% no grupo da quimioterapia.
Por que o resultado é tão importante?
O câncer de pâncreas está entre os tumores mais difíceis de tratar. A doença frequentemente não apresenta sintomas claros no início e costuma ser descoberta quando já está avançada ou metastática.
Um dos principais obstáculos está justamente na proteína RAS, que funciona como um interruptor responsável por controlar o crescimento celular. Quando sofre mutações, pode permanecer permanentemente ativada, estimulando a multiplicação e a invasão das células tumorais.
Durante décadas, bloquear o RAS foi considerado um dos grandes desafios da oncologia. A proteína chegou a ser descrita como “intratável”, por apresentar poucas regiões onde medicamentos pudessem atuar de maneira eficaz.
O daraxonrasib representa um avanço justamente por conseguir atingir esse mecanismo.
“O aplauso em pé foi merecido”
O oncologista Stephen Stefani, que acompanhou a apresentação dos resultados em Chicago, afirmou que a reação dos médicos foi motivada pela combinação de aumento da sobrevida, baixa toxicidade e um novo mecanismo de ação contra uma doença extremamente agressiva.
Segundo ele, os dados representam mais do que um resultado estatístico: mostram que uma área considerada durante muito tempo praticamente inacessível começa a oferecer novas possibilidades para pacientes com câncer de pâncreas avançado.
A conclusão dos pesquisadores, publicada no Journal of Clinical Oncology, foi que o daraxonrasib deve se tornar um novo padrão de tratamento para pacientes com câncer de pâncreas metastático em segunda linha.
Com a decisão da FDA, o medicamento deixa de ser apenas uma promessa experimental nos Estados Unidos e passa a ser uma opção terapêutica autorizada para pacientes que atendem aos critérios definidos pela agência.
Fonte: G1
