O avanço do sarampo no Brasil e em outros países das Américas acende um alerta para o Ceará. Apesar de o Estado não registrar casos da doença desde 2022, a preocupação aumenta diante do fluxo de turistas e da cobertura vacinal abaixo da meta estabelecida pelo Ministério da Saúde.
Em 2026, 96,45% das crianças de 1 ano receberam a primeira dose da vacina contra o sarampo, mas apenas 84,78% receberam a segunda. A meta do Programa Nacional de Imunizações (PNI) é alcançar pelo menos 95% de cobertura.
Os dados foram obtidos a partir da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), com informações coletadas até 1º de agosto e atualizadas em setembro.
Segundo a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), manter a vacinação em dia é essencial para evitar a reintrodução e a circulação de doenças já eliminadas no território. O cenário preocupa especialmente porque o Estado recebe visitantes de diferentes regiões do Brasil e do exterior.
Em março deste ano, o Ceará chegou a investigar um caso suspeito de sarampo. Segundo a Sesa, a ocorrência não foi confirmada e, atualmente, não há casos suspeitos em investigação. A pasta afirma ainda que mantém vigilância epidemiológica permanente.
Segunda dose ainda é um desafio
A proteção contra o sarampo é oferecida gratuitamente pelo SUS por meio da tríplice viral, vacina que também protege contra caxumba e rubéola.
A diferença entre os índices da primeira e da segunda dose é atribuída, entre outros fatores, à necessidade de os pais ou responsáveis retornarem às unidades de saúde para completar o esquema vacinal.
A Sesa reforça que uma única dose não substitui o esquema completo quando há indicação de duas ou três aplicações. O reforço é necessário para ampliar e manter a resposta imunológica.
A vacinação está disponível em mais de 2 mil salas de imunização no Ceará, além de unidades instaladas em shoppings de Fortaleza.
O Ministério da Saúde recomenda que pessoas de 12 meses a 59 anos estejam protegidas contra o sarampo conforme o Calendário Nacional de Vacinação. Adolescentes e adultos que não foram vacinados ou estão com o esquema incompleto devem procurar uma unidade de saúde para verificar a necessidade de iniciar ou completar as doses.
Quais são os sintomas?
O sarampo é uma doença altamente contagiosa. Entre os principais sintomas estão febre alta, manchas vermelhas que começam no rosto e se espalham pelo corpo, tosse, coriza e irritação nos olhos. Também podem aparecer pequenos pontos brancos na mucosa da boca.
A transmissão ocorre pelas vias respiratórias. Uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para grande parte das pessoas próximas que não estejam imunizadas.
Não existe tratamento específico contra o sarampo. O atendimento médico é voltado ao controle dos sintomas e à prevenção de complicações, com medidas como hidratação, alimentação adequada e controle da febre.
Doença já foi eliminada no Brasil
O sarampo já esteve entre as principais causas de mortalidade infantil no país. O avanço da vacinação permitiu que o Brasil recebesse, em 2016, a certificação de eliminação da doença.
Entretanto, a partir de 2018, o vírus voltou a circular no país, em um cenário associado à redução das coberturas vacinais e ao fluxo migratório. O Brasil perdeu a certificação em 2019 após manter transmissão por mais de 12 meses.
Entre 2018 e 2022, foram registrados 39.816 casos e 40 mortes por sarampo no Brasil. Em novembro de 2024, o país recuperou o status de território livre da doença, reconhecimento oficializado pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).
A manutenção desse status depende da vigilância epidemiológica e da vacinação da população, especialmente entre crianças que ainda precisam completar o esquema vacinal.
Fonte: Diário do Nordeste
