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IA consegue criar vírus que se espalha sozinho entre eletrodomésticos e acende alerta de segurança

Anthropic testa como "vermes" de IA são capazes de se espalhar e se adaptar entre smart TVs
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Na sala de estar, o robô aspirador limpa o chão enquanto a iluminação é controlada por comandos de voz e a televisão acessa serviços de streaming pela internet. Essas situações fazem parte da chamada Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês), conceito que engloba aparelhos conectados à rede capazes de trocar informações e se comunicar entre si. Esse é um cenário cada vez mais presentes em casas pelo mundo. No entanto, esses aparelhos podem se tornar um risco com o avanço da inteligência artificial (IA).

A empresa de inteligência artificial Anthropic divulgou um relatório alertando para a possibilidade de softwares maliciosos desenvolvidos com IA infectarem eletrodomésticos conectados à internet. Segundo a análise, esses programas poderiam se replicar e se espalhar automaticamente para outros dispositivos, ampliando os riscos de segurança digital.

Os chamados “vermes” de computador são conhecidos no mundo da cibersegurança há várias décadas. Diferentemente de outras ameaças digitais, eles têm a capacidade de se replicar e alcançar novas máquinas por conta própria, seguindo comandos programados para explorar vulnerabilidades em sistemas e redes. No entanto, esse fluxo é interrompido se essas falhas forem corrigidas ou se não houver brechas adequadas para um ataque.

Os chamados “vermes” de IA, por outro lado, poderiam representar uma ameaça mais complexa. Diferentemente dos malwares tradicionais, eles teriam capacidade de resolver problemas de forma autônoma e adaptar seu comportamento a diferentes tipos de dispositivos.

Disseminação via televisores
Pesquisadores da Anthropic realizaram testes para avaliar se modelos de inteligência artificial poderiam funcionar em equipamentos com capacidade de processamento limitada. Em um dos experimentos, os cientistas distribuíram um modelo de IA entre 15 dispositivos Android TV de baixo custo.

Durante o teste, os cálculos foram divididos entre os aparelhos, de modo que cada um executasse uma parte do processamento. O resultado mostrou que algumas aplicações de inteligência artificial podem funcionar em conjunto com equipamentos simples, sem a necessidade de uma grande infraestrutura computacional centralizada.

Para avaliar a capacidade de propagação do sistema, os pesquisadores montaram um ambiente virtual com oito dispositivos Android. Nesse cenário, o modelo de IA conseguiu se instalar inicialmente em um aparelho e utilizar essa primeira infecção para alcançar os demais. O resultado foi de oito dispositivos infectados em quatro testes e sete no quinto.

De acordo com os pesquisadores da Anthropic, a adaptação a novos ambientes computacionais poderia levar entre 24 e 48 horas. Esse seria o tempo estimado para que um verme de IA desse tipo conseguisse se instalar em um dispositivo ainda não identificado pelo sistema.

Rede de bots composta por eletrodomésticos?
Outro ponto de preocupação é a possibilidade de reunir os dispositivos infectados em uma grande rede de bots, também conhecida como botnet. Embora cada aparelho tenha capacidade limitada de processamento, a atuação conjunta de vários equipamentos poderia ampliar consideravelmente o poder computacional disponível.

A tendência é que a propagação se torne mais rápida à medida que novos aparelhos sejam infectados. Isso porque o verme de IA poderia utilizar os próprios dispositivos comprometidos para alcançar outros equipamentos, sem depender de um servidor central que pudesse ser desligado para interromper sua atuação.

Além da propagação autônoma, esse tipo de ameaça poderia continuar aprendendo e aprimorando seu funcionamento. Com isso, teria potencial para alcançar diferentes categorias de dispositivos eletrônicos, mesmo aqueles que utilizam sistemas e programas distintos.

O cenário utilizado nos experimentos, entretanto, não reproduziu necessariamente as condições de segurança encontradas em residências. Os pesquisadores facilitaram deliberadamente o acesso aos aparelhos, que não estavam protegidos por sistemas de segurança mais avançados.

Mesmo com as restrições observadas nos experimentos, a empresa acredita que o avanço da inteligência artificial poderá mudar esse cenário em pouco tempo. Segundo a Anthropic, modelos menores podem atingir, ainda em 2026, o nível de capacidade necessário para se espalhar por dispositivos no mundo real.


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