Gabi Brandt e Saulo: volta acende debate sobre dependência emocional

Especialistas explicam por que relações marcadas por términos e voltas sucessivas costumam provocar identificação, críticas e julgamentos
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A nova reconciliação entre Gabi Brandt e Saulo Poncio voltou a dominar as redes sociais e abriu espaço para um debate que aparece cada vez mais na internet: afinal, quando insistir em um relacionamento deixa de ser amor e passa a ser dependência emocional?

O casal, que já enfrentou separações públicas, polêmicas e rumores de crises ao longo dos últimos anos, anunciou uma nova fase juntos. A reação do público, porém, ficou dividida. Enquanto parte dos seguidores comemorou a reconciliação, outra parcela passou a questionar se Gabi estaria presa emocionalmente à relação. Termos como “dependência emocional”, “relacionamento tóxico” e “não consegue seguir em frente” rapidamente tomaram conta dos comentários.

Especialistas, no entanto, alertam que é preciso cautela antes de transformar situações afetivas complexas em diagnósticos simplificados feitos pela internet. A psiquiatra Jessica Martani explica que dependência emocional não significa apenas voltar para alguém várias vezes.

“O problema começa quando a pessoa acredita que não consegue viver sem o parceiro, mesmo que a relação cause sofrimento. Existe um medo muito intenso de abandono, necessidade constante de validação e dificuldade de encerrar ciclos emocionais”, afirmou.

Segundo a especialista, alguns sinais costumam aparecer de forma recorrente em relações marcadas por dependência emocional. “A pessoa passa a priorizar completamente o relacionamento, perde autonomia emocional, aceita situações que machucam para evitar o término e sente ansiedade extrema diante da possibilidade de afastamento”, explicou.

Jessica também destaca que o parceiro nem sempre é o responsável direto pela situação. “Muitas vezes isso está ligado à história emocional da própria pessoa, inseguranças antigas, baixa autoestima e experiências afetivas anteriores. Relações instáveis podem intensificar esse comportamento, mas nem sempre existe culpa exclusiva do outro”, disse.

Ela afirma ainda que, em relações assim, o apoio do parceiro pode ajudar desde que exista incentivo à autonomia emocional. “O companheiro pode acolher, estimular diálogo saudável e incentivar a busca por terapia, mas não pode assumir a responsabilidade de resolver sozinho o sofrimento emocional do outro”, completou.

Para a psicóloga Anastácia Barbosa, o caso também revela como a sociedade costuma romantizar relações intensas ao mesmo tempo em que julga mulheres que escolhem permanecer nelas. “Existe uma linha muito tênue entre insistir por amor e permanecer por medo da perda. Muitas pessoas confundem sofrimento emocional com prova de amor verdadeiro”, afirmou.

A terapeuta Glaucia Santana, do Espaço Hi, explica que relações marcadas por términos e reconciliações sucessivas podem provocar uma espécie de desgaste emocional viciante. “Relacionamentos intermitentes viciam porque alternam dor e recompensa. O cérebro passa a perseguir migalhas emocionais como se fossem provas de amor”, disse.

Segundo ela, esse tipo de dinâmica costuma ativar mecanismos emocionais ligados ao medo da rejeição e da solidão. “Apego ansioso não é excesso de amor. É um sistema nervoso tentando encontrar segurança em alguém que, muitas vezes, só oferece instabilidade”, afirmou.

Glaucia também faz um alerta sobre o risco de anular a própria identidade dentro de uma relação. “Quando uma mulher se abandona para ser escolhida, ela não está vivendo amor. Ela está tentando sobreviver emocionalmente”, explicou.

Fonte: Metrópoles.

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