A Copa do Mundo sempre foi apresentada como um símbolo de união entre povos e culturas. Por isso, os episódios envolvendo restrições migratórias nos Estados Unidos durante o Mundial de 2026 levantam preocupações que vão além do esporte.
O caso do árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, impedido de entrar no país mesmo após ser escolhido pela FIFA para atuar na competição, tornou-se um dos exemplos mais emblemáticos. Outros relatos envolvendo atletas, membros de delegações e profissionais da imprensa reforçam a sensação de que barreiras políticas estão interferindo em um evento que deveria promover integração internacional.
Embora todo país tenha o direito de controlar suas fronteiras, é legítimo questionar se medidas tão rígidas são compatíveis com a realização de uma Copa do Mundo. Da mesma forma, cresce o debate sobre a postura da FIFA diante dessas situações.
As críticas ganharam força após o jornal francês L’Équipe retratar o presidente da entidade, Gianni Infantino, como um fantoche de Donald Trump. A imagem simboliza uma percepção cada vez mais presente: a de que a FIFA tem demonstrado pouca disposição para confrontar decisões que afetam diretamente participantes da competição.
O esporte não pode resolver todos os conflitos do mundo, mas deve preservar sua vocação de aproximar nações. Quando questões políticas passam a determinar quem pode participar do espetáculo, o futebol corre o risco de perder uma de suas características mais valiosas: a capacidade de unir pessoas além das fronteiras.
