O cenário das doenças respiratórias no Ceará apresentou mudanças significativas nas últimas semanas. Apesar da redução no número total de notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) passou a liderar os casos graves registrados entre pacientes hospitalizados no Estado.
Dados divulgados pela Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) apontam que as notificações de SRAG caíram de 1.006 casos entre as semanas epidemiológicas 14 e 17 para 945 registros entre as semanas 18 e 21. No entanto, o VSR ganhou espaço entre os vírus em circulação e foi responsável por 40,9% das detecções laboratoriais de SRAG nas últimas quatro semanas analisadas.
A positividade do vírus também apresentou crescimento expressivo. Na semana epidemiológica 16, o índice era de 11,9%, alcançando 26% na semana 21, o maior percentual registrado no período. O VSR é conhecido por provocar complicações respiratórias, especialmente em crianças pequenas, grupo que segue sendo o mais vulnerável aos quadros graves.
O boletim mais recente mostra que crianças de 1 a 4 anos representam 26,7% das notificações de SRAG no Ceará. Em Fortaleza, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) contabilizou 275 casos da síndrome entre as semanas 16 e 21, confirmando que o VSR foi o principal vírus identificado nesse intervalo. Desde janeiro, a capital já registrou 945 casos de SRAG.
Os dados também revelam mudanças no comportamento dos vírus da gripe. A Influenza A, que teve forte circulação no início do ano, reduziu sua positividade de 2,2% para 1,1% entre as semanas 17 e 21. Em contrapartida, a Influenza B segue em crescimento, passando de 6,8% para 12,1% de positividade no mesmo período.
Segundo o gerente da Célula de Vigilância Epidemiológica da SMS de Fortaleza, Rui de Gouveia, o início de 2026 foi marcado pela intensa circulação da Influenza A. Ele destaca que a disponibilidade do medicamento Oseltamivir e o avanço da vacinação contribuíram para evitar o agravamento dos casos e reduzir a pressão sobre a rede de saúde.
Atualmente, além do VSR, circulam simultaneamente rinovírus, Influenza B, Covid-19 e metapneumovírus. Embora os sintomas iniciais sejam semelhantes aos de uma gripe comum, especialistas alertam para sinais de agravamento, como dificuldade respiratória, baixa oxigenação, desidratação e perda de apetite, principalmente em crianças.
Apesar do aumento recente dos casos associados ao VSR, a Secretaria Municipal da Saúde afirma que o cenário atual é menos preocupante do que o observado em 2024 e 2025, quando houve maior demanda por leitos de terapia intensiva neonatal. Ainda assim, a rede municipal mantém atenção ao fluxo de atendimentos, que permanece estável devido à circulação simultânea de diferentes vírus respiratórios.
Fonte: Diário do Nordeste
