A morte de Maria Eduarda, de apenas 21 anos, já era uma tragédia por si só. Mas, poucas horas após o acidente, outra violência veio à tona: comentários que sexualizavam seu corpo, faziam piadas sobre sua morte e expunham um nível assustador de desumanidade.
Não se trata de humor nem de liberdade de expressão. Trata-se de misoginia, falta de empatia e de uma cultura que insiste em reduzir mulheres à aparência física ou à satisfação de desejos, mesmo quando elas já não podem se defender.
Enquanto familiares enfrentavam a dor da perda, parte da internet transformava o luto em espetáculo. Esse comportamento revela como o ambiente digital tem sido usado para disseminar ódio, humilhação e violência, muitas vezes sob a proteção do anonimato.
É preciso que plataformas ajam com mais rigor e que a sociedade deixe de normalizar esse tipo de atitude. Nenhuma mulher deve ter sua memória desrespeitada dessa forma.
Maria Eduarda merece ser lembrada por quem foi, não pelos comentários cruéis que surgiram após sua morte. O respeito à dignidade humana não pode terminar quando a vida acaba.
