O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) defendeu, nesta quinta-feira (3), que o ministro Alexandre de Moraes deixe o Supremo Tribunal Federal (STF) diante das suspeitas envolvendo o magistrado.
Em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo”, Caiado afirmou que a permanência de Moraes na Corte pode gerar questionamentos sobre a legitimidade de decisões tomadas pelo ministro e, segundo ele, representar um risco à ordem democrática.
A declaração ocorre após a divulgação de mensagens trocadas entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Os diálogos, que integram um relatório da Polícia Federal enviado ao STF, indicam que os dois teriam discutido a possibilidade de uma operação da PF que poderia ter Vorcaro como alvo. O sigilo do material foi retirado pelo ministro André Mendonça, e o conteúdo também foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR).
Para Caiado, diante das suspeitas, Moraes deveria se afastar ou renunciar ao cargo para responder aos questionamentos fora da condição de ministro do STF.
“Ele mesmo deveria fazer o seu próprio afastamento, ele mesmo renunciar àquela função, ao cargo”, afirmou.
O candidato também disse que a permanência do ministro poderia provocar uma crise institucional caso pessoas submetidas a decisões de Moraes passassem a questionar sua legitimidade para julgá-las.
“Quando sobre aquela pessoa [ministro do STF] recaem tantas suspeitas, denúncias, quanto essas que vieram à tona, ele não tem mais as condições mínimas necessárias para poder estar ali respondendo pelo cargo”, declarou.
Caiado também mencionou as investigações envolvendo o filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, e afirmou que o caso não pode ser tratado como encerrado enquanto ainda houver apurações em andamento. A declaração foi uma crítica à expressão de “página virada” usada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL).
Além disso, Caiado defendeu a retirada do sigilo de todas as investigações relacionadas ao Banco Master e às fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As apurações do caso do INSS também envolvem Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Fonte: G1
