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Crise financeira no Paraguai leva Santiago Peña a renunciar à Presidência

Pedido de impeachment, envolvendo acusações de conflito de interesses e suspeitas de favorecimento ao Ueno Bank, antecedeu a saída do presidente. Mais de 3 milhões de clientes tiveram contas congeladas.
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O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia ao cargo nesta quinta-feira (5), em meio a uma grave crise financeira envolvendo o Ueno Bank, uma das maiores instituições bancárias do país. A decisão ocorreu um dia após a Câmara dos Deputados apresentar um pedido de impeachment contra o chefe do Executivo, por suposto mau desempenho de suas funções.
Em pronunciamento divulgado nas redes sociais, Peña afirmou que decidiu deixar a Presidência e pediu desculpas à população por eventuais falhas durante sua gestão. Segundo ele, sua prioridade é garantir tranquilidade aos paraguaios que confiaram suas economias ao sistema financeiro nacional.
A crise provocou o congelamento das contas bancárias de mais de 3 milhões de pessoas e desencadeou uma onda de protestos em Assunção, capital paraguaia. Manifestantes foram às ruas cobrar a devolução do dinheiro e responsabilização das autoridades envolvidas.
Nesta quinta-feira, longas filas também foram registradas em frente às agências do Ueno Bank, onde clientes tentavam retirar seus recursos. Entre os prejudicados estão aposentados e trabalhadores que perderam acesso às economias acumuladas ao longo de anos. O Banco Central do Paraguai decidiu intervir na instituição financeira após identificar insuficiência de capital, suspendendo os serviços bancários. O episódio também provocou a renúncia do presidente do órgão regulador, Carlos Carvallo.
Entre os questionamentos envolvendo Santiago Peña está sua antiga ligação com um grupo empresarial que controlava o Ueno Bank. O presidente possuía ações na organização, mas se desvinculou do grupo em 2025.
No pedido de impeachment, a oposição aponta possíveis conflitos de interesses, questiona o crescimento do patrimônio presidencial e acusa Peña de adotar decisões regulatórias supostamente favoráveis à instituição financeira. Também são investigadas medidas relacionadas à concentração de recursos previdenciários no banco.
Na quarta-feira (4), Peña sancionou uma lei aprovada em caráter de urgência pelo Congresso para garantir a devolução de parte dos valores retidos. A legislação estabelece que os pagamentos sejam realizados nos próximos cinco dias.
O Banco Central informou que os clientes com depósitos congelados terão direito a um primeiro pagamento de até 10 milhões de guaranis, valor equivalente a aproximadamente R$ 9 mil.
O escândalo também resultou na prisão de oito diretores do Ueno Bank, incluindo o presidente da instituição, Miguel Vázquez, por suspeita de envolvimento nas irregularidades financeiras.
Santiago Peña assumiu a Presidência em 2023 e tinha mandato previsto até 2028. A crise bancária e os desdobramentos políticos provocaram uma das mais graves turbulências recentes no cenário institucional paraguaio.

Fonte: Diário do Nordeste

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