Deficientes auditivos enfretam desafios no mercado de trabalho no Brasil

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A realidade dessas pessoas é marcada por desafios no dia a dia

O Brasil conta com 10,7 milhões de pessoas com algum nível de deficiência auditiva, conforme levantamento do Instituto Locomotiva em parceria com a Semana da Acessibilidade Surda. A realidade dessas pessoas é marcada por desafios no dia a dia, sobretudo no ambiente de trabalho, onde a falta de acessibilidade impacta tanto a execução de tarefas quanto a interação social.

Júnior Teles, contador com deficiência auditiva neurossensorial bilateral descendente, exemplifica como os recursos disponíveis podem amenizar, mas não eliminar, as barreiras. Utilizando aparelhos auditivos e leitura labial, ele observa que comunicar sua condição aos colegas tem facilitado a convivência. Ainda assim, locais ruidosos representam um obstáculo. “Desde que não sejam ambientes com muitas pessoas falando ao mesmo tempo, tenho conseguido me adaptar”, comenta.

A ausência de intérpretes ou profissionais fluentes em Libras é outro problema apontado por Amarildo João Espindola, professor universitário e idealizador do projeto Libras em Cena. Segundo ele, as limitações se estendem às relações profissionais, prejudicando a integração e a autonomia no trabalho.

Especialistas como a advogada Iara Neves destacam que o isolamento social gerado pela falta de inclusão pode levar à subutilização das habilidades desses trabalhadores, restringindo suas oportunidades de crescimento. Quando os direitos não são respeitados, Iara orienta que as pessoas afetadas procurem diálogo com a empresa ou acionem a Justiça do Trabalho.

A inclusão exige mais do que a adaptação individual. Segundo Amarildo, investir em capacitação em Libras e em cultura surda é essencial, além de contratar profissionais fluentes nessa língua para diferentes funções. A adoção de práticas simples, como falar de forma clara e instalar avisos visuais em espaços públicos, também pode fazer a diferença.

O Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, celebrado em 3 de dezembro, reforça a importância de iniciativas para garantir os direitos e promover a inclusão de todas as pessoas com deficiência. Para que a inclusão deixe de ser apenas um ideal, ela deve ser incorporada como um compromisso em todos os níveis da sociedade.

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