Senhoras e senhores, respeitável público! O picadeiro da Praça dos Três Poderes abriu as cortinas nesta terça-feira para um espetáculo que prometia ser histórico: o julgamento sobre a possibilidade de investigação do ministro Alexandre de Moraes diante de elementos relacionados ao caso Banco Master.
Mas o que deveria ser uma busca por respostas rapidamente virou um verdadeiro show de contorcionismo jurídico.
Kassio Nunes Marques declarou-se impedido e Dias Toffoli, suspeito. No plenário, as 52 mensagens atribuídas pela Polícia Federal a Daniel Vorcaro ficaram no centro da discussão, mas o espetáculo ganhou outro roteiro quando os ministros passaram a debater também a atuação de André Mendonça.
Entre acusações, divergências regimentais e discussões sobre a condução dos processos, a pergunta principal parecia perder espaço: afinal, os fatos envolvendo Moraes serão efetivamente investigados?
Quando o placar chegou a 4 a 3, surgiu o ato final: Flávio Dino pediu vista e o julgamento foi interrompido.
E assim termina mais um capítulo: muita discussão, muitas acusações e pouca resposta.
Ninguém deve ser condenado sem provas. Mas ninguém deveria ser blindado contra investigação.
Investigar não é condenar. Fiscalizar o poder não é atacar a democracia.
A toga merece respeito, mas não pode significar imunidade.
Porque, quando o poder passa a fiscalizar a si próprio sem transparência, quem perde não é um ministro ou outro.
Quem perde é a confiança do cidadão na Justiça.
