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Ceará realiza 140 transplantes renais no primeiro semestre de 2026

Rim foi o segundo órgão mais transplantado no estado entre janeiro e junho; Hospital Geral de Fortaleza responde por 60 procedimentos.
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O Ceará realizou 140 transplantes renais nos seis primeiros meses de 2026. O número coloca o rim como o segundo órgão mais transplantado no estado no período. Do total, 60 procedimentos foram realizados no Hospital Geral de Fortaleza (HGF), referência nacional na área.

Os transplantes representam uma possibilidade de mudança de vida para pacientes que enfrentam doenças renais, muitas vezes submetidos a sessões regulares de hemodiálise enquanto aguardam por um órgão compatível. Além de filtrar o sangue e eliminar substâncias que o organismo não precisa, os rins desempenham funções importantes para o equilíbrio do corpo. Os órgãos ajudam a controlar eletrólitos, como potássio, cálcio e magnésio, participam do metabolismo ósseo por meio da ativação da vitamina D e produzem a eritropoietina, hormônio que estimula a formação de glóbulos vermelhos.

As principais causas da doença renal crônica estão relacionadas à hipertensão arterial e ao diabetes. Segundo o nefrologista e presidente da Fundação do Rim, Paulo Rossas Mota, a doença já é considerada um dos principais problemas de saúde pública no mundo.

O HGF possui uma trajetória de décadas na realização de transplantes renais. O coordenador do Serviço de Transplantes da unidade, cirurgião-geral Ronaldo Esmeraldo, lembra que os primeiros procedimentos foram realizados em 1995. Desde então, o serviço passou por uma evolução contínua, com a formação de equipes especializadas e a incorporação de novas técnicas cirúrgicas.

Em 2001, o HGF passou a realizar transplantes renais com doadores vivos utilizando uma técnica minimamente invasiva. O procedimento proporciona recuperação mais rápida para quem doa um dos rins e foi o primeiro desse tipo realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A técnica também contribuiu para ampliar a disposição de familiares em realizar a doação, reduzindo obstáculos relacionados à recuperação do doador.

A doação de rim pode ser feita por uma pessoa viva ou por um doador falecido. No caso de doadores vivos, a legislação permite a doação entre parentes de até quarto grau e cônjuges. Pessoas sem parentesco também podem doar, desde que haja autorização judicial. Quando o doador é falecido, a retirada dos órgãos depende da autorização da família. No Ceará, a Central de Transplantes, vinculada à Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), é responsável pela regulação e pela organização da fila única de pacientes.

Antes do procedimento, o possível doador passa por exames para verificar a compatibilidade e por avaliações clínicas que garantam sua própria segurança. Um dos principais desafios para ampliar o número de transplantes continua sendo a negativa familiar. No Brasil, 45% das famílias abordadas recusam a autorização para a doação de órgãos.

Para especialistas, conversar antecipadamente com os familiares sobre o desejo de ser doador pode ajudar a reduzir as recusas. A manifestação da vontade em vida facilita a decisão da família no momento em que a autorização for necessária.

Assim, além da estrutura hospitalar e da capacidade das equipes especializadas, a conscientização da população e o diálogo dentro das famílias permanecem fundamentais para ampliar as oportunidades de transplante e salvar vidas.

Fonte: GC Mais

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