A Copa do Mundo de 2026 ainda nem começou, mas um levantamento do Citi já antecipa um retrato bastante familiar do comportamento brasileiro: o país deve liderar o consumo de cerveja entre os torcedores, superando até mesmo os países anfitriões do torneio — Estados Unidos, México e Canadá. Mais do que um dado de mercado, a projeção revela um traço cultural profundamente ligado à identidade nacional.
No Brasil, futebol nunca foi apenas esporte. É encontro, emoção coletiva, tradição familiar e ritual social. E dentro desse cenário, a cerveja ocupa um espaço simbólico consolidado há décadas. Assistir a uma partida da Seleção ao lado de amigos, reunir a família para acompanhar os jogos e transformar cada lance em motivo de celebração fazem parte da experiência brasileira de viver uma Copa do Mundo.
Os números da pesquisa reforçam exatamente isso. Enquanto 58% dos brasileiros afirmam que pretendem aumentar o consumo de cerveja durante o mundial, o estudo também mostra que 83% planejam assistir às partidas acompanhados. Ou seja, a bebida aparece muito mais como elemento de convivência social do que apenas como produto de consumo.
Esse comportamento também ajuda a explicar por que o Brasil continua sendo um dos mercados mais estratégicos para grandes marcas do setor. Empresas como Heineken, Ambev e Coca-Cola enxergam o futebol como uma poderosa plataforma de conexão emocional com o público brasileiro. Durante a Copa, essa relação se intensifica e movimenta bilhões em publicidade, vendas e ativações de marca.
Ao mesmo tempo, o fenômeno levanta discussões importantes. O crescimento do consumo exige campanhas responsáveis e atenção aos excessos, especialmente em um período marcado por festas, comemorações e grande mobilização popular. A paixão pelo futebol pode — e deve — caminhar junto com consciência e moderação.
A Copa de 2026 promete mais uma vez transformar ruas, bares e casas brasileiras em arquibancadas improvisadas. E se a pesquisa estiver correta, o Brasil não levantará apenas a bandeira da torcida mais apaixonada do planeta, mas também a do maior consumo de cerveja entre os fãs do mundial. Um reflexo claro de como, por aqui, futebol é muito mais que noventa minutos: é parte da cultura nacional.
