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Quando a segurança falha, a sorte não pode ser o último protocolo

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A tentativa de retirada de uma recém-nascida da Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina, levanta uma discussão que vai muito além da classificação do caso como “sequestro” ou “tentativa de sequestro”. Independentemente da definição jurídica ou da avaliação médica apresentada posteriormente, um fato é incontestável: uma criança saiu dos cuidados da família pelas mãos de uma funcionária que estava de folga, utilizando o uniforme da instituição e alegando que levaria o bebê para realizar exames.

Se a ação só foi interrompida porque uma familiar desconfiou da situação, a pergunta que precisa ser feita é inevitável: onde estavam os protocolos de segurança do hospital?

Uma maternidade deve ser um dos ambientes mais protegidos de qualquer unidade de saúde. O controle de acesso, a identificação rigorosa de profissionais, a conferência obrigatória entre familiares e equipe e o monitoramento constante não podem existir apenas no papel. São medidas essenciais para garantir que episódios como esse jamais aconteçam.

Ainda que o médico responsável afirme que não houve sequestro, isso não elimina a gravidade do ocorrido. O debate não deve se limitar ao nome dado ao episódio, mas às vulnerabilidades que ele revelou. Uma pessoa que estava de folga conseguiu circular pelo hospital uniformizada, retirar uma recém-nascida do convívio da família sob uma justificativa aparentemente comum e ainda caminhar por diferentes setores antes de ser descoberta. Isso evidencia falhas que precisam ser investigadas e corrigidas com urgência.

É preocupante imaginar que o desfecho só foi diferente graças à atenção de uma tia da bebê. Se ela não tivesse percebido o comportamento suspeito, qual teria sido o resultado dessa história? A segurança de um hospital não pode depender exclusivamente da vigilância dos familiares.

Mais do que apontar culpados, este caso exige uma revisão profunda dos protocolos de proteção neonatal. A população precisa confiar que, ao entregar um filho aos cuidados de uma maternidade, todas as barreiras de segurança estarão funcionando.

Porque, quando uma recém-nascida consegue ser retirada do setor por alguém que sequer estava em serviço, a discussão deixa de ser sobre a nomenclatura do fato e passa a ser sobre a responsabilidade de evitar que uma tragédia aconteça.

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