O Ceará registra um aumento expressivo nos casos de dengue em 2026. De acordo com dados da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), divulgados por meio da plataforma IntegraSUS, o Estado contabilizou 36.393 notificações e mais de 11 mil casos confirmados da doença até o início de agosto. Os números representam um crescimento de 91,7% nas notificações e de 172,7% nas confirmações em comparação com o mesmo período de 2025, quando foram registrados cerca de 25 mil casos suspeitos e 4.856 confirmações.
Segundo o Informe Operacional de Arboviroses da Sesa, publicado em 11 de agosto, 34 municípios cearenses apresentam incidência classificada como alta ou muito alta, cenário que aumenta o risco para a ocorrência de epidemias nesses territórios. Somente neste ano, o Ceará registrou 376 casos de dengue com sinais de alarme e 19 casos de dengue grave. Além disso, 18 mortes já foram confirmadas e outras cinco seguem sob investigação pelas autoridades de saúde. Os óbitos foram registrados nas regiões de Fortaleza, Norte, Sul e Litoral Leste. O levantamento também aponta que houve aumento progressivo da positividade dos exames laboratoriais a partir do fim de maio, com crescimento contínuo até o final de julho.
O período de maior concentração de casos confirmados ocorreu entre os dias 22 de junho e 1º de agosto, refletindo a intensificação da circulação viral em diferentes regiões do Estado. Análises realizadas pelo Laboratório Central de Saúde Pública do Ceará (Lacen) mostram predominância do sorotipo DENV-2, responsável por 85,7% das amostras analisadas. O DENV-1 aparece em seguida, com 13,6%.
As autoridades de saúde também monitoram a circulação do sorotipo DENV-3, identificado em parte das amostras. Apesar da baixa incidência atual, especialistas alertam para o potencial de disseminação, já que grande parcela da população não possui imunidade contra essa variante. Entre os municípios com transmissão ativa sustentada da doença estão Sobral, Tianguá, Reriutaba, Guaraciaba do Norte, Croatá, Cedro, Jardim, Várzea Alegre, Aracati, Jaguaribe e Icapuí, entre outros. As Superintendências Regionais de Saúde Norte e Fortaleza concentram cerca de 62,5% das notificações registradas no Estado. Já a região Sul apresenta o maior percentual de casos confirmados e o maior índice de positividade laboratorial.
Diante do cenário, a Secretaria da Saúde reforça a importância da prevenção e da eliminação dos criadouros do mosquito Aedes aegypti. A orientação é que a população mantenha caixas d’água vedadas, elimine recipientes que acumulem água, limpe calhas e utilize repelentes em áreas de maior transmissão.
A Pasta também alerta para a procura imediata por atendimento médico em casos de febre alta acompanhada de sintomas como dores no corpo, dor de cabeça, prostração e dor atrás dos olhos. Sinais como dor abdominal intensa, vômitos persistentes, dificuldade para respirar e sangramentos podem indicar agravamento da doença e exigem assistência médica urgente.
Fonte: Diário do Nordeste
