Durante a Semana Santa, especialmente na Sexta-feira Santa, fiéis católicos mantêm a tradição de evitar o consumo de carne vermelha como forma de penitência e reflexão espiritual. A prática, que atravessa séculos, está diretamente ligada ao significado religioso do período, que relembra a paixão e morte de Jesus Cristo. Para a Igreja Católica, o gesto simboliza renúncia e sacrifício, convidando os fiéis a uma vivência mais profunda da fé.
De acordo com o padre Dom Gabriel Alves do Amaral, do Mosteiro de São Bento de Fortaleza, a abstinência possui um caráter simbólico. Segundo ele, a carne historicamente esteve associada a momentos de celebração, e sua restrição representa um ato concreto de penitência. A orientação da Igreja permite a substituição por outros alimentos, como peixe, ovos, legumes e grãos, garantindo que os fiéis mantenham uma alimentação adequada sem perder o sentido espiritual da prática.
Além da abstinência alimentar, a Igreja enfatiza que o período deve ser vivido de forma mais ampla, incluindo atitudes de oração, caridade e reflexão. A proposta é que o jejum não seja apenas físico, mas também espiritual. As normas estão previstas no Código de Direito Canônico, que estabelece a obrigatoriedade da abstinência de carne para fiéis a partir dos 14 anos. Já o jejum deve ser observado por adultos até os 60 anos, respeitando as condições de saúde de cada pessoa.
Mesmo para aqueles que não se enquadram nessas regras, a Igreja incentiva a adesão consciente à prática, como forma de vivenciar o período com maior significado. Mais do que uma tradição cultural, a abstinência na Semana Santa permanece como um convite à reflexão, ao sacrifício e ao fortalecimento da espiritualidade entre os católicos.
Fonte: Diário do Nordeste
