Cerca de 2 milhões de mesários devem atuar nas eleições gerais de 2026 em todo o Brasil. Levantamento com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atualizados até 24 de setembro, aponta 1.969.060 pessoas convocadas para trabalhar no pleito. Os mesários são responsáveis pelo funcionamento das seções eleitorais durante a votação. Entre as principais atribuições estão localizar o nome do eleitor no caderno de votação, colher a assinatura e entregar o comprovante de votação.
Cada seção conta com uma mesa receptora formada por quatro integrantes: presidente, primeiro mesário, segundo mesário e secretário. Eles devem atuar no primeiro turno, marcado para 4 de outubro, e no segundo turno, previsto para 25 de outubro. A atuação é geralmente voluntária, mas a Justiça Eleitoral também pode convocar eleitores para exercer a função. Entre os critérios considerados estão escolaridade e experiência profissional.
Antes da votação, os convocados precisam participar de treinamento presencial ou on-line. Para as eleições deste ano, a capacitação começou em 17 de agosto e fica disponível até as 23h59 de 3 de outubro. No dia da eleição, os mesários devem chegar à seção às 7h, no horário de Brasília. Eles participam da instalação da mesa, da emissão da zerésima e da ativação da urna eletrônica.
O trabalho termina após o encerramento da votação, às 17h, e a emissão dos boletins de urna. O presidente é a autoridade máxima da seção e tem a responsabilidade de manter a ordem no local. O primeiro e o segundo mesários podem substituí-lo, enquanto o secretário fica responsável pelo preenchimento da ata e pelo registro das ocorrências.
Existem restrições para o exercício da função. Não podem atuar como mesários, entre outros casos, integrantes de diretórios de partidos políticos, servidores da Justiça Eleitoral, ocupantes de cargos de confiança no Executivo e pessoas com parentesco ou companheirismo com candidatos. Entre os benefícios estão dois dias de folga para cada dia de convocação e efetiva participação, além de auxílio-alimentação de R$ 65 por dia. Para universitários, a atividade pode contar como horas complementares.
O trabalho também pode ser utilizado como critério de desempate em concursos públicos, quando houver previsão no edital. A Resolução TSE nº 23.751/2026 também estabelece regras para eventuais substituições. Em caso de ausência de integrantes da mesa, o juiz eleitoral poderá remanejar mesários de outra seção ou autorizar a nomeação de um eleitor presente.
Segundo o consultor do Senado Gilberto Guerzoni Filho, a legislação permite que um eleitor seja nomeado no próprio local de votação, desde que não tenha impedimentos legais. A função é considerada serviço público temporário e os mesários são classificados como agentes honoríficos. A participação pode ocorrer de forma voluntária, mas, uma vez convocado, o eleitor deve cumprir a função, salvo justificativa aceita pela Justiça Eleitoral.
Um exemplo é o servidor público Helton Apolinário, de 43 anos, que atua como presidente de seção há 22 anos. Convocado pela primeira vez em 2004, ele continua participando das eleições. Para Helton, o trabalho representa uma forma de participação cidadã e de contribuição para o funcionamento do processo eleitoral. Ele também voltou a ser convocado para atuar nas eleições de 2026 e concluiu o curso de capacitação oferecido pelo TSE em 24 de setembro.
Fonte: Agencia Senado
