A alimentação tem um papel importante na manutenção da saúde mental e pode contribuir para a prevenção e o tratamento da depressão. Estudos científicos têm investigado como determinados nutrientes e a qualidade da dieta influenciam o funcionamento do cérebro, os processos inflamatórios e o equilíbrio do organismo.
Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde, cerca de 10% dos adultos brasileiros já receberam diagnóstico de depressão, o equivalente a mais de 16 milhões de pessoas. A condição aparece com maior frequência entre as mulheres e exige atenção, diagnóstico adequado e acompanhamento especializado.
O tratamento da depressão pode envolver psicoterapia, acompanhamento médico e uso de medicamentos, conforme a necessidade de cada paciente e nesse contexto, a alimentação equilibrada surge como uma aliada, capaz de complementar os cuidados e contribuir para o bem-estar físico e emocional. Uma das explicações estudadas pela ciência envolve o chamado eixo intestino-cérebro, sistema de comunicação entre o aparelho digestivo e o cérebro. As bactérias que vivem no intestino participam de processos relacionados à imunidade, à inflamação e à produção de substâncias que podem influenciar o humor.
Uma dieta variada, com fibras, frutas, verduras e alimentos naturais, ajuda a manter a microbiota intestinal saudável. Por outro lado, o consumo frequente de produtos ultraprocessados, ricos em açúcar, gorduras e sódio, tem sido associado a maior risco de sintomas depressivos.
Uma pesquisa realizada na Austrália acompanhou adultos com depressão moderada a grave que já recebiam tratamento habitual. Parte dos participantes recebeu orientações para adotar uma alimentação inspirada na dieta mediterrânea. Após 12 semanas, aproximadamente um terço desse grupo apresentou remissão dos sintomas, ante 8% daqueles que receberam apenas apoio social. Apesar dos resultados promissores, o estudo envolveu um número reduzido de participantes e precisa ser confirmado por pesquisas mais amplas. Os dados reforçam, porém, a importância de investigar a alimentação como parte complementar da assistência à saúde mental.
Entre os alimentos que merecem espaço na rotina estão peixes como sardinha, salmão e atum, fontes de ômega-3, além de ovos, carnes magras, feijão, lentilha e grão-de-bico, que fornecem proteínas, ferro e vitaminas do complexo B. Verduras de folhas escuras, frutas variadas, castanhas, nozes, sementes e azeite de oliva também contribuem para uma dieta nutritiva. Iogurtes naturais e outros alimentos fermentados podem favorecer a microbiota intestinal, dependendo de sua composição.
Outro cuidado importante é reduzir o consumo de refrigerantes, biscoitos recheados, salgadinhos e embutidos. O álcool também merece atenção, pois pode prejudicar o sono, alterar o humor e interferir na ação de medicamentos utilizados no tratamento da depressão.
Deficiências nutricionais, como as de vitaminas B12 e D, folato e ferro, podem provocar cansaço, fraqueza e desânimo, sintomas que podem se confundir com manifestações depressivas ou agravar o mal-estar. A investigação dessas carências deve ser feita por profissionais de saúde, com exames quando indicados.
A própria depressão pode modificar a relação com a comida. Enquanto algumas pessoas perdem o apetite, outras passam a buscar doces e carboidratos como forma de lidar com emoções difíceis. Nessas situações, manter uma rotina alimentar possível e equilibrada é mais importante do que buscar uma dieta perfeita. Preparações simples, como arroz, feijão, ovo e salada, podem representar uma alternativa nutritiva e acessível. Fazer refeições na companhia de familiares ou amigos também pode favorecer a convivência e ajudar a estabelecer uma rotina.
Especialistas ressaltam, entretanto, que nenhum alimento ou dieta, isoladamente, cura a depressão. A alimentação saudável deve atuar em conjunto com psicoterapia, acompanhamento médico, atividade física, sono adequado e medicamentos, quando prescritos.
O cuidado com a saúde mental exige uma abordagem integral, que considere as necessidades físicas, emocionais e sociais de cada pessoa. Melhorar a qualidade das refeições é uma medida possível para fortalecer a saúde, mas reconhecer os sintomas e buscar ajuda profissional continuam sendo passos fundamentais para o tratamento da depressão.
Fonte: Uol
