O uso de dispositivos de tabaco aquecido pode provocar danos aos vasos sanguíneos e ao DNA já na primeira exposição. A conclusão é de um estudo publicado nesta terça-feira (27) no European Journal of Preventive Cardiology, revista científica especializada em cardiologia preventiva.
A pesquisa identificou alterações na pressão arterial, no funcionamento dos vasos sanguíneos e na oxigenação do organismo após o uso desses dispositivos. Os resultados também apontaram sinais de estresse oxidativo nas células sanguíneas, indicando uma resposta do organismo a possíveis danos celulares.
Para realizar o estudo, os pesquisadores analisaram 30 adultos fumantes, com idade média de 34 anos e sem problemas de saúde conhecidos. Inicialmente, os participantes passaram por exames de sangue, medição da pressão arterial e avaliação do funcionamento dos vasos sanguíneos.
Em seguida, os voluntários utilizaram um produto de tabaco aquecido e foram submetidos novamente aos mesmos procedimentos. A comparação entre os resultados anteriores e posteriores ao uso revelou mudanças significativas em diferentes indicadores de saúde.
Entre os principais resultados, os pesquisadores observaram um aumento de três milímetros de mercúrio (mmHg) na pressão arterial sistólica, que corresponde à pressão exercida pelo sangue nas artérias durante os batimentos cardíacos.
O funcionamento dos vasos sanguíneos também apresentou uma redução de 11%. Outro dado identificado foi a queda no indicador de fornecimento de oxigênio no organismo, que passou de 71% para aproximadamente 46%, conforme os resultados apresentados pela pesquisa.
Além das alterações cardiovasculares, os exames apontaram danos ao DNA das células sanguíneas. Os pesquisadores identificaram sinais de estresse oxidativo, processo relacionado à ação de moléculas que podem danificar estruturas celulares e desencadear respostas de defesa do organismo.
De acordo com Lea Strohm, principal autora do estudo e pesquisadora do Centro Médico Universitário de Mainz, na Alemanha, os resultados demonstram que uma exposição aguda ao tabaco aquecido foi suficiente para provocar alterações vasculares, metabólicas e genéticas nos participantes.
A pesquisadora destacou que as descobertas questionam as alegações de que os dispositivos de tabaco aquecido seriam menos prejudiciais ao sistema cardiovascular do que os cigarros convencionais.
Os resultados reforçam a necessidade de ampliar as investigações sobre os efeitos desses produtos na saúde. Embora o estudo tenha identificado alterações após uma única exposição, a pesquisa foi realizada com um grupo pequeno de participantes e não permite, isoladamente, determinar a dimensão dos riscos a longo prazo.
O trabalho também chama a atenção para a importância de avaliar os efeitos dos produtos de tabaco aquecido para além da fumaça visível e da percepção de que esses dispositivos seriam uma alternativa menos nociva ao cigarro tradicional.
Fonte: Metrópoles
