O uso da inteligência artificial (IA) na educação tem aberto novas possibilidades para tornar as aulas mais criativas, personalizadas e próximas da realidade dos estudantes. Um exemplo é o da professora Giovanna Macedo, de 27 anos, que utilizou o ChatGPT para mostrar a seus alunos, de 9 e 10 anos, como eles poderiam ser no futuro, exercendo as profissões que sonham seguir.
A atividade foi realizada com fotografias dos 31 estudantes do 4º ano do ensino fundamental da Escola Estadual Professor Carlos Cristovam Zink, em Campinas (SP). As imagens geradas por inteligência artificial emocionaram as crianças e viralizaram nas redes sociais, com representações de futuros jogadores de futebol, astronautas, veterinários, bailarinas, cantores e artistas.
Segundo Giovanna, a iniciativa buscou incentivar os alunos a imaginar novas possibilidades para o futuro, além de fortalecer a autoestima e mostrar que eles são capazes de realizar seus sonhos. A experiência também despertou na professora o interesse em aprofundar seus conhecimentos sobre inteligência artificial e metodologias de ensino.
Tecnologia e aprendizagem
A expansão da cultura digital tem exigido que as escolas acompanhem as transformações tecnológicas sem deixar de lado o desenvolvimento humano. Especialistas destacam que, embora muitas crianças tenham facilidade para utilizar celulares e acessar informações, ainda precisam aprender a pesquisar com profundidade, identificar notícias falsas e compreender os riscos relacionados à exposição de dados pessoais.
Para educadores, a inteligência artificial deve ser utilizada de maneira crítica, responsável e alinhada aos objetivos pedagógicos. A tecnologia pode ajudar na elaboração de atividades, na adaptação de conteúdos e na criação de recursos que atendam às diferentes necessidades dos estudantes.
A formação continuada dos professores também é considerada fundamental para acompanhar as mudanças. O professor Marcio Luiz Dias, que atua há 13 anos na capacitação de profissionais da rede pública do Distrito Federal, defende que o ensino sobre tecnologias digitais vá além do uso básico das ferramentas, estimulando a colaboração, o pensamento crítico e a autonomia dos alunos.
IA como apoio ao trabalho dos professores
Na rotina escolar, a inteligência artificial pode contribuir para automatizar tarefas administrativas, elaborar planos de aula, diversificar exercícios, adaptar avaliações e desenvolver jogos educativos. Com isso, os professores podem dedicar mais tempo ao planejamento pedagógico e ao acompanhamento individualizado dos estudantes.
O professor Jaime Guilherme de Oliveira, do Centro de Ensino Médio Integrado à Educação Profissional de Taguatinga (DF), utiliza a tecnologia para produzir conteúdos didáticos, planejar atividades e desenvolver recursos de aprendizagem, inclusive para estudantes com necessidades específicas.
Entre as iniciativas está o jogo interativo Arena ABNT, criado com auxílio do ChatGPT para ensinar, de maneira lúdica, regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas utilizadas na elaboração de trabalhos acadêmicos.
Apesar dos benefícios, os educadores ressaltam que a inteligência artificial não substitui a capacidade humana de avaliar o desenvolvimento dos estudantes, compreender suas dificuldades e escolher as melhores estratégias de ensino.
Desafios do uso da inteligência artificial
Um dos principais desafios é evitar que os alunos utilizem a tecnologia apenas para copiar respostas e concluir tarefas sem desenvolver o próprio raciocínio. Para os especialistas, a IA deve servir como ferramenta de apoio à pesquisa, à argumentação, à análise e à construção do conhecimento.
O letramento digital também é apontado como essencial para preparar os estudantes para lidar com desinformação, golpes virtuais e outros riscos presentes na internet.
Nesse cenário, o professor continua exercendo um papel fundamental na orientação ética, na verificação das informações e no estímulo ao pensamento crítico. A tecnologia pode ampliar as possibilidades de aprendizagem, mas os resultados dependem da forma como é utilizada em sala de aula.
MEC prepara diretrizes para o uso da IA
O Ministério da Educação (MEC) informou que uma nova resolução sobre o uso da inteligência artificial na educação deverá ser publicada em breve, sem divulgar uma data. A proposta busca ampliar o uso pedagógico da tecnologia, preservar a autonomia dos professores e garantir a proteção dos estudantes.
A iniciativa pretende estabelecer orientações nacionais para que gestores e redes de ensino adotem ferramentas de inteligência artificial de maneira segura, inclusiva e responsável.
O avanço da conectividade também faz parte desse processo. Em julho de 2026, 108.658 escolas estavam conectadas à internet dentro dos parâmetros de qualidade dos níveis 4 e 5 do Indicador Escolas Conectadas (Inec), o equivalente a 78,7% das 138.086 unidades monitoradas.
A expectativa é que a inteligência artificial amplie sua presença no planejamento docente e na personalização do ensino, mantendo o professor como peça central na formação educacional e humana dos estudantes.
Fonte: Agência Brasil
