Foto Murtadha Sudani-Anadolu Agency via Getty Images-Via Metrópoles

Milícia iraquiana ameaça atacar bases dos EUA caso país entre em guerra entre Israel e Irã

O grupo afirmou que bases militares dos Estados Unidos no Oriente Médio poderão ser alvos
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A escalada do conflito entre Israel e Irã ganhou novos contornos nesta quinta-feira (19), com uma ameaça direta da milícia xiita Kataib Hezbollah, integrante das Forças de Mobilização Popular do Iraque. O grupo afirmou que bases militares dos Estados Unidos no Oriente Médio poderão ser alvos, caso Washington decida intervir diretamente na guerra.

A declaração partiu de Abu Ali al-Askari, responsável pela segurança da milícia, que usou termos duros contra o ex-presidente norte-americano Donald Trump, possível candidato à reeleição, e alertou sobre consequências econômicas e militares para os EUA na região. “Reafirmamos, com ainda mais clareza, que, caso os Estados Unidos entrem nesta guerra, o desequilibrado Trump perderá todos os trilhões que sonha em angariar nesta região”, disse. Ele ainda comparou as bases americanas a “campos de caça a patos”, sugerindo que se tornariam alvos fáceis de ataques coordenados.

Além da ameaça militar, al-Askari indicou que o grupo pode atuar para bloquear rotas estratégicas de navegação no Oriente Médio, como o Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado mundialmente — e o Bab-el-Mandeb, entre o Mar Vermelho e o Golfo de Áden. O fechamento dessas rotas teria impacto direto sobre o comércio global e o fornecimento de energia.

O clima tenso se agravou após Israel lançar, na semana passada, o que chamou de ataque preventivo contra instalações do programa nuclear iraniano. O governo israelense alega que a operação visa impedir que Teerã desenvolva armas nucleares. Em resposta, o Irã disparou drones e mísseis contra o território israelense, ampliando o alcance da guerra, que já dura sete dias.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que os ataques continuarão e prometeu atingir todas as bases militares do Irã. Relatos preliminares apontam danos a setores do programa nuclear iraniano, mas especialistas sugerem que impactos mais severos só ocorreriam com armamentos mais potentes ou com a entrada direta dos EUA no conflito — algo que Israel tem pressionado.

O Hezbollah libanês também declarou apoio ao Irã, reforçando o risco de uma guerra regional. Ambos os grupos têm vínculos históricos e estratégicos com Teerã.

Até o momento, o posicionamento dos Estados Unidos permanece ambíguo. O ex-presidente Donald Trump, que lidera nas pesquisas eleitorais para 2024, afirmou que não busca mais um cessar-fogo, mas sim uma “vitória completa” contra o Irã, sinalizando possível endurecimento da postura americana. No entanto, ainda não há definição oficial sobre uma eventual entrada militar dos EUA na guerra.

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