O bilionário e disputado mercado de cosméticos no Brasil ganhou sotaque cearense nos últimos anos. A Labotrat, empresa fundada em 2012 em Fortaleza e com sede no Eusébio, se destaca no setor, a ponto de competir com marcas consolidadas como We Pink, de Virgínia Fonseca, e Boca Rosa, de Bianca Andrade.
A companhia integra um grupo de três empresas cearenses que estão crescendo acima da média do mercado nos setores em que atuam, segundo o estudo Insurgent Brands, realizado pela Bain & Company em parceria com a NielsenIQ.
O levantamento considera 53 empresas brasileiras com faturamento entre R$ 10 milhões e R$ 1 bilhão, chamadas de insurgentes.
Segundo a fundadora e CEO da empresa, a farmacêutica Raquel Carvalho, a Labotrat registrou faturamento de R$ 230 milhões em 2025 e tem como meta alcançar R$ 1 bilhão até 2030.
“É um reconhecimento para toda a equipe que trabalha para transformar a Labotrat em uma marca cada vez mais relevante para os brasileiros. Tenho muito respeito pelas marcas que ajudam a desenvolver o mercado de beleza, como a WePink e a Boca Rosa, mas quando a gente olha para a Labotrat, nossa história foi construída de forma diferente”, analisa.
“O mais importante não é superar uma marca ou outra, mas continuar evoluindo. Não posso abrir mão de algo que dê um diferencial no produto, diminua o percentual de matéria-prima ou traga mais inovação. Tenho um olhar técnico e não sou a blogueira que só vende produto. Para mim, é muito mais amplo do que só um código de barra”, completa a empresária.
Labotrat expande no mercado nacional com portfólio variado
A história da Labotrat começa em 2012, quando Raquel era funcionária de laboratórios farmacêuticos e de cosméticos e decidiu criar sua própria marca.
“Em 2013, as vendas se iniciaram no Ceará. Três anos depois, a demanda ultrapassou a capacidade e compramos um terreno na Estrada do Fio. Em 2018, lançamos uma linha premium e dermocosméticos. Esse portfólio surgiu como um termômetro para identificar brechas de mercado e oportunidades de industrialização”, relembra.
A empreendedora conta que a Labotrat começou com um perfil de vendas porta a porta, sendo apresentada ao público em pontos físicos. Somente em 2026, 13 anos após o início da comercialização, a empresa lançou um e-commerce.
“Adotamos isso como estratégia. No meio digital é importante, tanto que atualmente fazemos parte desse canal, mas o ponto físico é algo sustentável, que dá uma força maior para o digital. Chegamos ao digital com uma base consolidada no meio físico”, enaltece.
Ao todo, a empresa cearense tem 300 produtos diferentes, como hidratantes corporais e itens de skincare, e tem como público-alvo todas as classes sociais, com presença desde atacarejos até lojas especializadas em beleza.
“Enxergamos o faturamento de R$ 1 bilhão como uma meta ambiciosa, mas totalmente possível com base nos nossos pilares. Manter uma fábrica própria é muito importante. Se olharmos para o mercado, muitas marcas não têm fábrica. É difícil ter velocidade na produção enquanto se inova, mas sem ela não se consegue colocar o produto para vender”, explica Raquel.
Empresa expande por demanda em crescimento
A empreendedora relembra que a expansão intensa dos últimos anos impactou a produção da Labotrat, principalmente durante a pandemia, período de maior crescimento da empresa.
“Em 2020, abrimos um novo parque fabril. Estávamos entrando em outros estados e precisávamos de uma marca mais profissionalizada. Entre 2023 e 2024, passamos por uma ‘dificuldade boa’: tínhamos a venda, mas pela demanda veloz, não estávamos conseguindo entregar o que precisava”, conta.
Raquel aponta que, no ano passado, houve um investimento na ampliação da fábrica, com compra de equipamentos importantes: “Com isso, chegamos à produtividade de 350 mil unidades produzidas por dia. Ainda temos espaço para demanda, estamos preparados”, completa.
Atualmente, a Labotrat emprega 380 funcionários fixos, número que pode chegar a 500 conforme a demanda. O parque industrial na Estrada do Fio tem 18 mil metros quadrados.
Entre os produtos da empresa, os esfoliantes se destacam como carro-chefe. “Temos 70% do mercado, estamos em supermercados, lojas de varejo e de cosméticos”, afirma Raquel.
Cearense mira mercado internacional
A perspectiva do faturamento bilionário até 2030 está em acordo com a expansão da Labotrat. A marca não tem lojas físicas próprias, mas estima que os produtos sejam comercializados em 100 mil pontos de venda pelo País, em todos os estados, além das exportações.
Ainda que tenha a sede no Ceará, a empresa tem uma participação maior de público vindo do Sul e do Sudeste.
Internacionalmente, a marca está se consolidando na América Latina, em países como Argentina, Chile e México, mas a expectativa é também massificar a presença na Europa.
De acordo com ela, a empresa está enviado o quarto contêiner para a Europa, onde a marca está presente em quiosques em Portugal, Espanha e Emirados Árabes Unidos. “Não esperávamos uma expansão tão rápida, mas os resultados mostraram que esse mercado merece atenção mais próxima”, finaliza.
Fonte- Diário do Nordeste
