A senadora Teresa Leitão (PT-PE), líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Senado, reconheceu o peso da pauta de votações prevista para esta semana de esforço concentrado do Congresso Nacional, considerada a última antes das eleições de outubro.
Em entrevista ao g1, a parlamentar afirmou que o governo trabalha para avançar na aprovação de três propostas consideradas prioritárias: a PEC que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, a PEC da Segurança Pública e o projeto que estabelece o marco legal para minerais críticos e terras raras.
Segundo Teresa, a proposta que acaba com a jornada 6×1 tem, sim, potencial de produzir efeitos eleitorais por ter conquistado forte apoio popular.
“Não há de se negar que ela tem efeitos eleitorais porque ela está na boca do povo”, afirmou.
Primeira mulher a ocupar a liderança do governo no Senado, Teresa Leitão assumiu a função após a saída do senador Jaques Wagner (PT-BA). Ela também comentou o período de desgaste entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), mas negou que tenha ocorrido uma ruptura entre os dois.
“Houve um afastamento entre os dois presidentes dessas instâncias, fundamentais para a democracia brasileira, mas não houve ruptura”, declarou.
Reaproximação entre Lula e Alcolumbre
Teresa afirmou que participou das articulações para aproximar novamente os presidentes da República e do Senado. Segundo ela, Lula pediu que sua atuação como líder do governo tivesse foco em três temas: o fim da escala 6×1, a PEC da Segurança Pública e o marco legal dos minerais críticos e terras raras.
A senadora disse que defendeu desde o início o diálogo institucional e avaliou que a retomada das conversas foi resultado de uma articulação envolvendo diferentes integrantes dos Três Poderes e líderes do Congresso.
Para Teresa, não houve uma “paz” entre os Poderes porque, segundo ela, eles nunca estiveram em guerra, mas houve uma retomada do diálogo com o objetivo de acelerar a análise das propostas.
Escala 6×1
Sobre a PEC que prevê o fim da escala 6×1, Teresa afirmou que existe apoio suficiente no Senado para sua aprovação, mas reconheceu que ainda há resistência à possibilidade de acelerar a tramitação.
Ela explicou que o rito normal para uma PEC exige cinco sessões e que o governo tenta convencer os parlamentares a permitir a quebra desse prazo para que a proposta seja votada mais rapidamente no plenário.
Apesar de reconhecer o impacto eleitoral da medida, a senadora rejeitou a avaliação de que a proposta seja exclusivamente eleitoreira. Segundo ela, a PEC tramita desde 2019 e ganhou força por atender a uma reivindicação que alcançou trabalhadores de diferentes setores.
Teresa também criticou a PEC alternativa apresentada pela oposição, afirmando que as duas propostas possuem concepções diferentes sobre as relações de trabalho.
PEC da Segurança Pública
A senadora classificou a PEC da Segurança Pública como uma oportunidade para o Brasil avançar no combate ao crime organizado e às facções criminosas.
Segundo Teresa, a criação de um Ministério da Segurança Pública não deve ser analisada de forma isolada, mas dentro de uma política mais ampla de segurança prevista na proposta.
Ela também destacou a necessidade de ampliar a integração entre União, estados e municípios no enfrentamento da criminalidade.
“Taxa das Blusinhas”
Sobre a medida provisória relacionada à chamada “Taxa das Blusinhas”, que perde a validade em 9 de setembro caso não seja aprovada, Teresa afirmou acreditar que a votação será conduzida sem grandes dificuldades.
A senadora disse que a proposta recebeu mais de 100 emendas e que o texto está sendo analisado pela senadora Leila Barros (PDT-DF).
Questionada se a criação da taxa, em 2024, teria sido um erro, Teresa afirmou que o cenário econômico e político mudou e defendeu a possibilidade de revisão da medida.
Eleições e futuro do Senado
Teresa também foi questionada sobre a possibilidade de a reaproximação entre Lula e Alcolumbre estar relacionada às eleições de outubro e à disputa pela Presidência do Senado em 2027.
A senadora afirmou que existem fatos concretos envolvendo tanto a eleição presidencial quanto o término do mandato da atual Mesa do Congresso, mas considerou subjetiva qualquer conclusão sobre uma eventual relação entre os dois acontecimentos.
Sobre uma possível nova indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), caso Lula seja reeleito, Teresa afirmou que a escolha de nomes para o tribunal é uma prerrogativa do presidente da República e que é necessário aguardar uma eventual decisão.
Mais mulheres no governo
Primeira mulher a liderar o governo no Senado, Teresa Leitão também avaliou a presença feminina no terceiro mandato de Lula.
A senadora afirmou que considera que o presidente avançou na indicação de mulheres para posições estratégicas e citou iniciativas voltadas às mulheres, como a recriação do Ministério das Mulheres, a política de igualdade salarial, a política nacional de cuidados e o pacto de combate ao feminicídio.
Para Teresa, a presença feminina em espaços de poder ainda pode avançar e deve continuar sendo ampliada.
Fonte: G1
