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Placas de gordura que podem causar infarto já aparecem aos 20 anos, aponta estudo

O levantamento analisou 16.808 pessoas entre 18 e 70 anos, todas sem histórico de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) ou obstrução arterial.
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Um dos maiores estudos já realizados sobre o início da aterosclerose revelou que placas de gordura podem estar presentes nas artérias de adultos ainda na faixa dos 20 anos. Segundo a pesquisa, por volta dos 40 anos, aproximadamente metade dos homens e um terço das mulheres já apresentam sinais da doença, muitas vezes sem saber.

O levantamento analisou 16.808 pessoas entre 18 e 70 anos, todas sem histórico de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) ou obstrução arterial. Os resultados foram apresentados no Congresso Europeu de Cardiologia, realizado em Munique, na Alemanha, e publicados simultaneamente no New England Journal of Medicine.

Entre os participantes de 18 a 29 anos, 8,7% dos homens e 6,7% das mulheres já apresentavam pelo menos uma artéria comprometida. Isso significa que cerca de um em cada 13 jovens nessa faixa etária já tinha sinais iniciais de um processo que pode evoluir para doenças cardiovasculares décadas mais tarde.

A pesquisa também mostrou que a presença de placas aumenta rapidamente com a idade. Entre 30 e 39 anos, a aterosclerose foi identificada em 34,6% dos homens e 21,3% das mulheres. Na faixa dos 40 anos, os índices chegaram a aproximadamente 50% entre os homens e 30% entre as mulheres.

Entre 60 e 70 anos, a presença da doença se tornou ainda mais comum. Apenas 1,9% dos homens e 8,1% das mulheres não apresentavam nenhuma placa detectável.

Doença silenciosa

Um dos principais alertas do estudo é que a aterosclerose pode avançar sem provocar sintomas. Os participantes foram submetidos a exames de imagem que avaliaram as artérias carótidas, femorais e coronárias.

Com o passar dos anos, as placas aumentam de volume, acumulam mais gordura e passam a atingir diferentes regiões do sistema arterial. O estudo mostrou ainda que o crescimento da quantidade de placas se acelera com a idade.

A aterosclerose é uma doença crônica caracterizada pelo acúmulo de colesterol e por processos inflamatórios nas paredes das artérias. O LDL, conhecido popularmente como colesterol ruim, tem papel importante nesse processo.

Quando há excesso de LDL circulando no sangue e lesões no endotélio, camada que reveste internamente os vasos sanguíneos, partículas de colesterol podem se acumular na parede das artérias. O organismo reage ao depósito, provocando inflamação e contribuindo para o crescimento da placa.

Em determinadas situações, a placa pode se romper e provocar a formação de um coágulo. Se isso acontecer em uma artéria coronária, pode causar um infarto. Quando ocorre em uma artéria que leva sangue ao cérebro, pode provocar um AVC.

Por que a doença começa tão cedo?

Especialistas apontam que a aterosclerose resulta da combinação entre fatores genéticos e hábitos de vida. Pessoas com predisposição hereditária podem apresentar níveis elevados de colesterol desde a juventude, enquanto fatores como pressão alta, diabetes, obesidade, sedentarismo e tabagismo podem acelerar o processo.

O cigarro, por exemplo, contribui para o desenvolvimento da doença ao danificar o endotélio dos vasos sanguíneos. A poluição do ar também aparece entre os fatores associados ao risco cardiovascular.

Uma vez instalada, a placa não costuma desaparecer completamente. O tratamento busca principalmente controlar os fatores de risco e impedir ou retardar sua progressão.

Homens desenvolvem a doença mais cedo

Outro destaque do levantamento foi a diferença entre homens e mulheres. Os homens tendem a desenvolver aterosclerose entre cinco e dez anos antes.

Entre os fatores envolvidos está o estrogênio, hormônio que exerce efeito protetor sobre o sistema cardiovascular. Nas mulheres, o risco tende a aumentar de forma mais significativa a partir do climatério, quando ocorre a redução dos níveis hormonais.

Prevenção deve começar cedo

Apesar dos resultados, especialistas não recomendam que todos os jovens sejam submetidos a exames de imagem para procurar placas nas artérias.

A orientação é iniciar a prevenção ainda na juventude, com acompanhamento de fatores como pressão arterial, colesterol e glicemia, além da adoção de hábitos saudáveis.

Entre as principais medidas estão a prática de pelo menos 150 minutos de atividade física por semana, alimentação equilibrada, redução do consumo de gordura saturada e sódio, abandono do cigarro e moderação no consumo de bebidas alcoólicas.

Pessoas com histórico familiar importante de doenças cardiovasculares podem precisar de uma avaliação mais individualizada.

O estudo analisou populações da Espanha e da Dinamarca, portanto, os resultados não podem ser automaticamente aplicados à população brasileira. Ainda assim, especialistas consideram os dados um alerta para a importância de começar a prevenção cardiovascular antes que os primeiros sinais da doença apareçam.

Fonte: G1

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